Agentes tentam se defender de suspeitas
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quarta-feira, 03 de dezembro de 2003
Maigue Gueths<br>Equipe da Folha 
Curitiba - Os três agentes penitenciários que foram reféns durante a rebelião da última sexta-feira, na Penitenciária Estadual de Piraquara (PEP), Região Metropolitana de Curitiba, estiveram ontem de manhã na Promotoria de Investigação Criminal (PIC), para dar versão sobre o incidente. A iniciativa foi uma tentativa de se contrapor às afirmações do secretário de Justiça e Cidadania, Aldo Parzianello, que levantou suspeitas, em entrevistas, de que eles teriam facilitado o motim.
A PIC, órgão vinculado ao Ministério Público (MP) estadual, coordena a sindicância que apura as circuntâncias em que ocorreu a rebelião. O promotor Dicesar Augusto Krepsky, no entanto, não ouviu os agentes ontem. Hoje, os três prestam depoimento para a Comissão de Direitos Humanos da Assembléia Legislativa. De acordo com o diretor do Sindicato dos Servidores Penitenciários (Sinssp), Lino Alves do Nascimento, que conversou com o promotor, Krepsky poderá ouvir, hoje, um dos agentes ou solicitar aos parlamantares cópia dos depoimentos para serem ouvidos pela comissão de sindicância.
Os agentes Marcos Murilo Holzmann, Emerson Ramos e Amauri Pereira Carneiro estavam revoltados. A PEP determinou o afastamento dos três até que as investigações sejam concluídas. ''Nós queremos provar que não facilitamos nenhuma rebelião'', disse Holzman, o primeiro a ser rendido pelos presos. Eles também negam que uma das celas estaria aberta, conforme disse o secretário.
De acordo com Holzmann, a rebelião começou quando a chefia de Segurança do presídio solicitou a presença em sua sala de Marcelo Amorim Cardoso, líder do Primeiro Comando da Capital (PCC) no Paraná. ''Abrimos a cela para levar o preso e, com um estoque e uma arma de sabão, ele nos rendeu'', contou Ramos. Segundo Holzman, a arma era perfeita e conseguiu ''enganar'' pelo menos cinco pessoas que estavam no local naquele momento. ''Se fosse só um estoque eu teria pulado em cima dele, mas contra uma arma não há como reagir'', defendeu-se. Amorim é quem teria aberto as demais celas da ala, liberando os 21 detentos que participaram da rebelião.
Representantes do Sinssp afirmaram que a rebelião já era certa. Os presos estavam apenas esperando o momento certo para agir. A abertura da cela de Amorim foi o pretexto. O sindicato também apurou que, na sexta-feira, 20 membros do PCC de São Paulo estariam em Curitiba. Caso não houvesse o motim, eles tinham planos de metralhar um dos ônibus que transporta os funcionários até a PEP. A intenção dessas ações, segundo o sindicato, seria a de obter a transferência de 14 integrantes do PCC para outros presídios.
O clima tenso na sétima galeria da PEP já havia sido denunciado pelo sindicato. Os dois presos que foram mortos durante o motim, Maikon Júlio dos Santos, 22 anos, e Saneo Aparecido Santos, 27, cumpriam pena por latrocínio e estavam sendo ameçados de morte. ''Eles estavam pedindo pelo amor de Deus para serem transferidos de ala'', disse Nascimento. Os dois foram mortos a golpes de marreta e pá, por um grupo de presos que pegou as ferramentas, deixadas no corredor por funcionários da manutenção.


