Os agentes de saúde de Londrina estão sendo treinados para informar a população e serem multiplicadores de informações corretas sobre doação e transplante de órgãos. O primeiro treinamento nesse sentido, organizado pela Secretaria Estadual de Saúde junto com a Central Regional de Transplantes aconteceu ontem no Shopping Catuaí, em Londrina. Os agentes foram escolhidos por estarem sempre em contato com a população.
A coordenadora da Central Regional de Transplantes, Ogli Beatriz Bacchi, disse que os brasileiros são pessoas predispostas a realizar a doação, mas têm algumas dúvidas. ''O problema é a falta de informação'', lamenta Ogli, explicando que os agentes multiplicarão as informações e estarão esclarecendo à população. As maiores dúvidas das pessoas, segundo Ogli, é quanto à honestidade do processo, em que casos podem acontecer a doação e principalmente em relação à morte cerebral.
Na região de Londrina, mais de 400 pessoas aguardam na fila para receberem um órgão para transplante. No Paraná, de acordo com a secretaria, a lista de espera é de 2.723 pacientes. Em 2001 foram feitos 778 transplantes e este ano a Central Estadual já intermediou até agosto a doação de 565 órgãos. O secretário Estadual de Saúde, Luiz Carlos Sobania, comentou que os agentes são as pessoas ideais para conversarem com a população. ''Através da informação, eles estarão, com sensibilidade, ganhando possíveis doadores''.
O coordenador nacional de doação de órgãos, o médico Diogo Mendes, explicou que o treinamento entra em uma necessidade que a população tem de identificar os possíveis doadores. ''Precisamos também de uma abordagem correta à família e conscientizar os faciltadores de transplantes''.
No Brasil existe uma fila de espera de 42.700 pacientes. No ano passado, 7.300 pessoas foram beneficiadas com doações. Este ano, segundo Mendes, a previsão é que 7.700 pessoas sejam transplantadas. Ele contou que o Brasil tem estrutura para realizar os transplantes, são 423 instituições hospitalares credenciadas e no Estado existem 65 hospitais autorizados a fazer a captação de órgãos. O governo Federal paga todas os transplantes: em 2001 foram gastos R$ 220 milhões.
Para a agente de saúde, Lilian Serrato, 21 anos, o treinamento está sendo muito valioso, pois todos os pacientes têm muitas dúvidas e as informações estão sendo bem esclarecidas. ''Vai ser fácil divulgar e esclarecer as pessoas'', garantiu Lilian.

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