Os agentes de saúde da Vigilância Sanitária e da Epidemiologia fizeram ontem a última vistoria amparada por mandado de busca e apreensão de uma casa no Jardim Jatobá, zona sul de Londrina. O terreno estava limpo já que vizinhos e a associação de moradores já haviam retirado parte do entulho. Mas só do interior do barraco onde mora P.N.M., que aparenta ter 18 anos, foi recolhido um caminhão de lixo. O serviço de limpeza se estendeu também a um terreno vazio que fica ao lado do barraco e tomou praticamente todo o dia dos agentes.
Ao contrário das situações enfrentadas anteontem pelos agentes de saúde em outras duas casas em que as donas ofereceram resistência, ontem o trabalho foi tranquilo já que o morador não estava no local. Não foi preciso arrombar portas ou janelas, já que nem isso a casa possuía. Segundo os vizinhos, elas foram arrancadas pelo morador que tem problemas mentais. O rapaz, segundo os agentes aparenta ter de 18 a 20 anos.
Ao redor do barraco e no terreno que fica ao lado, que também acumula entulho e mato, foram encontrados vários focos do mosquito Aedes aegypti e duas aranhas grandes. Os vizinhos disseram que há ainda camundongos e que na semana passada mataram uma cobra coral no quintal. O morador, segundo eles, recolhe lixo na ruas mas só vende o material quando está bem. ''Ele atira paus e pedras em quem tentar se aproximar do barraco'', contou o aposentado Sebastião Marcelino de Oliveira que mora ao lado.
Apesar do estado da casa, que não possui nada mais além de lixo e entulhos, os vizinhos disseram que há um ano os pais e um irmão menor moravam com P.N.M. e eram constantemente agredidos. A mãe teria se mudado há cerca de dois meses, desde então, ele está sendo alimentado pela vizinha Ana Conceição Machado.
Duas funcionárias do Centro de Atendimento Psicossocial (Caps/Conviver) acompanharam o trabalho. De acordo com a enfermeira Cláudia Takamatsu, P.N.M. é atendido pela entidade desde 1998, mas não uso corretamente a medicação. No prontuário dele há registros de crises de agito e agressividade. A última anotação foi feita no ano passado mas, por falta de vagas, ele não chegou a ser internado. Cláudia destacou que a entidade desconhecia as condições do local onde ele morava, pois o único contato que possuem com o paciente é quando ele comparece ao Caps.
Anne Christina Hiltel da diretoria de Epidemiologia admite que é preciso uma ''reavaliação das situações mais graves'', como a de P.N.M.. Segundo ela há outros casos na cidade de pessoas que carecem de um atendimento mais personalizado.

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