Agentes penitenciários de Londrina realizaram na manhã de ontem um ato para lembrar a morte de Luiz Carlos Marchetti, executado com dois tiros em frente à sua residência há exatamente um ano. A ação dos funcionários públicos lembrou também a morte dos outros dois colegas, Francisco Gonçalves Filho, o ''Chiquinho'', executado em janeiro deste ano, e Gilson Leonel, assassinado em setembro do ano passado quando passava férias em Cuiabá. A manifestação, que aconteceu no calçadão da Avenida Paraná (Centro), foi marcada também por reinvindicações. Além de melhorias na escala de trabalho, os agentes querem que o governo estadual regulamente o porte de arma para os trabalhadores.
A mulher de Marchetti, Márcia Marchetti, pede Justiça. ''Ele trabalhava há mais de 20 anos no Estado. Será que não merecia mais consideração? Para mim é muito importante saber porque ele foi morto. Nós sabemos que a morte dele tem a ver com seu trabalho, mas o Estado prefere dizer que não teve nada a ver'', comentou.
Emocionada, a esposa de Chiquinho, Janete da Silva, ressaltou que os agentes precisam de mais segurança. ''Vim aqui hoje para dar um apoio para os outros familiares porque o caso do meu marido foi solucionado. Meu filho estava dentro do carro na hora que ele foi atingido pelos tiros. Ele era uma pessoa muito correta, trabalhava há 12 anos como agente, não permitia drogas dentro da unidade e isso com certeza foi um dos motivos pelo qual mataram ele'', disse.
Os agentes lembraram que uma lei federal defende o porte de armas para a categoria. Segundo o Sindicato dos Agentes Penitenciários do Paraná (Sindarspen), a portaria 315, de julho de 2006, da Polícia Federal, diz: ''dispõe sobre arma de fogo para integrantes do quadro efetivo de agentes penitenciários e escolta de pessoas ainda que fora de serviço''. Baseados nisso, os agentes buscam a regulamentação para poderem andar armados.
Ao todo são 3,7 mil agentes em todo estado. O vice-presidente do sindicato, José Roberto Neves, ressaltou que as ameaças contra os agentes continuam acontecendo. ''Estamos discutindo um projeto de lei que possa verificar os crimes cometidos contra os servidores públicos porque esses agentes não foram mortos em assaltos ou em outras situações. Agentes dos estados de São Paulo, Rio Grande do Sul e Mato Grosso do Sul já podem andar armados e aqui no Paraná ainda não. Queremos a garantia de segurança aos nossos trabalhadores'', comentou.
De acordo com a assessoria de imprensa do governo do Estado, o governador Roberto Requião se mantém contrário à regulamentação do porte de arma para os agentes do Paraná.

mockup