Os quatro agentes de segurança José Luis Cartolari, Israel Pereira dos Santos, Acir de Azevedo e Denilson Garbelini foram afastados de suas funções na Prisão Provisória de Londrina a pedido do diretor, delegado Eurico Hummig Filho. Eles estão sendo acusados de tentar facilitar a entrada de uma pistola calibre 6.35 na prisão. A ordem de substituição foi dada pelo diretor do Departamento Penitenciário, Cezinando Vieira Paredes, da Secretaria de Justiça e Cidadania, órgão a que os agentes estão subordinados.
O fato ocorreu no último sábado, por volta das 18 horas, quando um motoqueiro entregou uma vasilha de plástico cheia de salsichas com o fundo falso, que escondia a arma. O afastamento dos agentes não foi motivado só pelo possível envolvimento no caso da pistola. No último dia 18, eles foram denunciados também à Secretaria de Justiça e Cidadania pelo juiz corregedor e da Vara de Execuções Penais, Roberto do Vale, por facilitar a entrada de bebida alcoólica na prisão, promover baderna junto com os presos e cobrar propina para os presos telefonarem por intermédio de um celular.
Segundo informações de um funcionário da Secretaria de Justiça, que pediu para não ser identificado, o agente Cartolari é um dos que foram denunciados por intermédio de carta anônima por irregularidades quando trabalhava na Penitenciária Estadual de Londrina (PEL). A pedido da Ouvidoria Geral do Estado foi instaurado um inquérito administrativo. Os acusados foram investigados pela direção da PEL e nada ficou provado.
Arquivo FolhaCezinando VieiraParedes determinou o afastamento dos agentes ontemO mesmo funcionário informou que o outro agente acusado, Israel Pereira dos Santos, está denunciado em processo como suspeito de participar de um assalto a um banco de Curitiba. O processo administrativo ainda tramita na Secretaria de Justiça e ninguém sabe informar em que ponto estão as investigações.
O delegado Hummig disse que há mais de um mês solicitou à Secretaria de Justiça a ficha funcional e disciplinar dos 21 agentes de segurança que trabalham da Prisão Provisória. ‘‘Até agora não recebi as fichas’’, afirmou. Ele elogiou os outros 17 agentes e enfatizou que foi graças a um deles que a pistola não entrou na prisão. O agente desconfiou do peso da vasilha e fez uma verificação do seu conteúdo.
A delegada Valdete Testoni está presidindo o inquérito policial que apura a tentativa de entrada da arma na prisão. No inquérito está indiciado como principal suspeito o preso Claudino Aurelino dos Santos, 23 anos, conhecido por ‘‘Cabecinha’’. Ele foi acusado pelos agentes de ter solicitado a vasilha com a arma. Na sua primeira versão, na quarta-feira, ele disse que não havia pedido comida e nada tinha haver com o fato. No entanto, no dia seguinte, ele voltou atrás e disse que a arma era para ele.
A segunda versão surpreendeu o delegada Valdete e o diretor Hummig porque existiam denúncias de que a arma era para o preso Dorival Lima Santos Filho, que está na mesma cela de ‘‘Cabecinha’’. Em abril Dorival participou da ação de uma quadrilha que tentou roubar um avião carregado de dinheiro, que chegava ao Aeroporto de Londrina. Na denúncia feita por telefone à toda a imprensa consta que a facilitação da entrada da arma daria R$ 12 mil aos envolvidos e serviria para a fuga de Dorival. Ele renderia a escolta quando fosse prestar depoimento no Fórum.
A delegada disse que está investigando porque o agente Cartolari, antes de chegar a vasilha, teria dito no setor de recepção da prisão que a encomenda seria para ele. O diretor Hummig afirmou à Folha que somente às quartas-feiras é permitida a entrada de alimentos para os presos. ‘‘Estranho o procedimento dos agentes que permitiram receber alimentação no sábado. Isto vem contra as minhas determinações e normas de segurança’’. Ele pediu a delegada Valdete que investigue o motivo da desobediência.Arquivo FolhaFundo falsoAgentes são suspeitos de tentar facilitar entrada de arma, escondida em vasilha de plásticoPaulo Ubiratan

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