''Estamos em luto'', ''Quantos seres humanos ainda morrerão para que tenhamos segurança de verdade?''. Faixas com mensagens como essas marcaram o ato realizado na manhã de ontem por cerca de 80 agentes da Penitenciária Estadual de Londrina (PEL). Além dos funcionários, também participaram do ato amigos e familiares do agente Francisco Gonçalves Filho, 42 anos, executado na noite de terça-feira, e de Luiz Carlos Marchetti, 46, morto em junho de 2007.
Durante o protesto, diversos agentes e pessoas da sociedade civil falaram ao microfone pedindo mais atenção à segurança dos trabalhadores que lidam diretamente com os presos. Os funcionários também reinvindicaram mais agilidade nas investigações da morte do agente Marchetti. Para o presidente do Sindicato dos Agentes Penitenciários do Estado do Paraná, Clayton Auwerter, é necessário que sejam criados meios para combater o crime organizado, garantindo a segurança dos agentes. ''O risco é algo inerente nas atividades do agente, mas é preciso que haja segurança para que ele possa realizar seu trabalho'', disse.
Ainda bastante abalado, o irmão de Francisco, José Gonçalves Neto, fez questão de comparecer no evento, mas confessou não ter esperanças quanto a solução dos riscos que os agentes enfrentam diariamente. ''Londrina é uma cidade que conta com quatro deputados, além de um ministro. Recursos existem para solucionar os problemas, mas falta vontade. Eu sinceramente não tenho muita esperança de que isso vai mudar. Os agentes vivem uma guerra dentro da penintenciária. Lá dentro os grupos não mandam, mas aqui fora eles conseguem e daí acontece como aconteceu com o meu irmão, que foi covardemente assassinado'', reforçou. A família do agente Marchetti, morto em junho do ano passado, compareceu ao ato usando camisetas estampadas com a foto dele.
Do Calçadão, os agentes seguiram até a 10 Subdivisão Policial em passeata carregando as faixas em silêncio com o objetivo de manifestar o luto pela morte dos colegas. Chegando na delegacia, um ofício foi entregue ao delegado-chefe Sérgio Barroso, pedindo agilidade nas investigações dos casos. Além da morte de Francisco e Marchetti, outro agente de Londrina foi morto, em setembro de 2007, enquanto estava de férias em Cuiabá.
Enquanto os agentes penitenciários estavam no Calçadão de Londrina, diretores das unidades prisionais da cidade se reuniam com Barroso para discutir os assassinatos dos agentes e a atual situação dos presídios. Estiveram presentes no encontro Tadeu José Migoto, diretor do Patronato Penitenciário; major Raul Leão Vidal, diretor do Centro de Detenção e Ressocialização (CDR) de Londrina, além de Diógenes Gonçalves, diretor da Penitenciária Estadual de Londrina (PEL).
De acordo com Barroso, a motivação da visita foi a preocupação deles quanto aos assassinatos dos agentes. ''Eles manifestaram confiança e apoio no trabalho da polícia e nos andamentos dos trabalhos. Repassamos a eles que não só a polícia civil mas também a militar está empenhada nas investigações. Não acreditamos que as mortes dos três agentes tenham alguma ligação'', disse.

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