Agentes penitenciários de todo o Estado podem entrar em greve a partir de amanhã caso a Secretaria Estadual de Justiça não aceite renegociar a implantação da nova escala de trabalho da categoria, tida como deficiente pelo Sindicato dos Servidores do Sistema Penitenciário (Sinssp). O anúncio foi feito ontem, durante uma manifestação organizada pelos agentes da Penitenciária Estadual de Londrina (PEL), pedindo a abertura das discussões a respeito do novo sistema, implantado oficialmente ontem nas 10 unidades prisionais do Paraná.
A nova escala determina a criação de equipes para turnos de 12 horas de trabalho, intercalados por 36 horas de folga. Na escala antiga, os agentes trabalhavam 24 horas, com folgas de dois dias. O sistema, utilizado nas casas de custódia com administração terceirizada e já implantado nas três penitenciárias da Região Metropolitana de Curitiba desde 21 de janeiro, também vai implicar na redução dos vencimentos dos agentes em cerca de R$ 500,00, devido à diminuição das horas extras abono apontado pelo governador Roberto Requião (PMDB) como um dos fatores que estaria inviabilizando a saúde financeira do sistema penitenciário do Estado. O salário-base dos servidores, de cerca de R$ 500,00, chega a R$ 2,7 mil, com a incorporação de abonos como adicional noturno e por serviços extras.
Vista como viável pela Secretaria de Justiça, a nova escala é bastante criticada pelos agentes. Segundo Wilson Francisco Moreira, representante do Sinssp em Londrina, o sistema vai reduzir o efetivo das equipes de plantão noturno pela metade, além de aumentar o tempo de exposição dos funcionários à situações de estresse. ''É um erro. Atualmente já temos oito agentes afastados por problemas de saúde decorrentes de estresse. Este número vai aumentar'', disse.
O sistema penitenciário conta com cerca de 1,2 mil agentes 120 em Londrina para o atendimento das 10 penitenciárias do Estado. De acordo com Moreira, a adesão a uma provável greve será maciça, mesmo com a ameaça feita pelo governador há um mês. Em um evento em Curitiba, Requião afirmou que recomendaria à Secretaria de Justiça que mandasse prender eventuais grevistas e que colocaria a Polícia Militar para fazer a segurança das cadeias. Fontes ligadas ao comando da PM no Estado, entretanto, já afirmaram à Folha que a Polícia não tem condições estruturais e humanas para tal serviço.
Os dirigentes do Sinssp aguardam para amanhã um aceno da Secretaria de Justiça sobre a possibilidade de renegociação da escala de trabalho. ''Temos até uma proposta alternativa, que também vai reduzir o pagamento das horas extras sem comprometer a segurança nos presídios'', afirmou Moreira.
A reportagem da Folha foi informada pela assessoria de imprensa do Palácio Iguaçu que a Secretaria de Justiça não se pronunciaria sobre o tema até que a pasta do Planejamento definisse o formato final para o funcionamento das escalas.

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