Agentes penitenciários discutem segurança
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segunda-feira, 24 de março de 2008
Fernanda Borges<br>Reportagem Local 
O evento organizado com o objetivo de discutir propostas para efetivar a segurança dos trabalhadores do Sistema Penal do Paraná, não conseguiu reunir muitos agentes penitenciários de Londrina. O principal motivo da ausência dos trabalhadores se deu, principalmente, por conta de uma ordem da Secretaria de Justiça e Cidadania, expedida na última quinta-feira, véspera de feriado, comunicando que os diretores e técnicos das unidades prisionais de Londrina não estariam liberados nem poderiam realizar trocas de turnos para participar do evento, organizado pelo Sindicato dos Agentes Penitenciários do Paraná (Sindaspen). Mesmo com poucas pessoas, cerca de 40, o encontro foi realizado.
O presidente do Sindaspen, Clayton Auwerter, considerou ''arbitrária'' a medida do secretário Jair Ramos Braga. ''Lamentamos muito essa ordem porque ele está proibindo as autoridades e os trabalhadores de vir até aqui contribuir com assuntos relacionados à segurança dos agentes e de suas famílias'', disse.
O Estado do Paraná conta com cerca de 20 unidades prisionais e 2,5 mil agentes. Só em Londrina são 250 trabalhadores que atuam na Penitenciária Estadual de Londrina (PEL); Centro de Detenção e Ressocialização (CDR) e Casa de Custódia de Londrina (CCL). Um dos principais fatores que motivaram o sindicato a organizar o evento foi o medo que se alastrou entre os trabalhadores de Londrina por conta do assassinato de três agentes em menos de um ano.
Durante o evento estiveram presentes a coordenadora do Observatório Social Londrinense de Estudos da Violência, Francisca Virgínia Soares, e o presidente do Sindicato dos Funcionários do Sistema Prisional do Estado de São Paulo (Sifuspesp), João Rinaldo Machado, que debateram a segurança pública fora dos presídios e a experiência paulista.
Segundo Machado, diversas mudanças, com o apoio do governo do Estado de São Paulo, contribuíram para a melhora da rotina dos agentes. Desde o ano passado, a regulamentação que permite o uso de arma de fogo garante a segurança dos trabalhadores quando estão fora do horário de serviço. ''A secretaria também investiu no serviço de inteligência e hoje temos o Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa da Polícia Civil que consegue antecipar as ações dos bandidos que pretender cometer algum tipo de crime contra os agentes'', disse.
O Estado de São Paulo conta com cerca de 33 mil agentes penitenciários que atuam em 145 unidades. O grande número de pessoas, segundo Machado, é um dos fatores que dificulta a agilidade do treinamento dos agentes na Polícia Federal para a regulamentação do porte de arma. ''Mesmo assim, recebemos suporte do Estado para prividenciar a regulamentação que consta em nosso registro. Também tivemos uma queda significativa no número de fugas dos presídios depois que os agentes passaram a fazer a guarda externa armados'', salientou.
O secretário de Justiça, Jair Ramos Braga, negou que tenha proibido a participação dos agentes no encontro. ''Eu acho salutar, válido em termos de classe e até pedagógico. Não proibi nenhum agente de frequentar, proibi os diretores e vices-diretores, que têm cargos em comissão'', explicou. Ele reconheceu que também proibiu as trocas de turno: ''Se ele tem compromisso de escala de serviço, ele tem que cumprir. Senão vira uma bagunça''.
Inês Garcia, mulher de um agente que atua há dez anos em Londrina, marcou presença no evento. Ela fez questão de levar um cartaz com mensagens em forma de protesto pedindo atenção às autoridades quando a segurança dos agentes. ''Por que os seguranças particulares do Governador podem andar armados e os agentes não? Nós queremos segurança da nossa família e isso não acontece hoje'', desabafou.


