Agentes impedem fuga na Casa de Custódia
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sábado, 19 de julho de 2003
Gilmar Agassi<br> Reportagem Local 
Seis detentos tentaram fugir, na noite de anteontem, da Casa de Custódia de Londrina (CCL), localizada na zona sul da cidade. A fuga só não foi concretizada porque um agente disciplinar, que fazia a ronda externa, escutou ruídos provenientes do cubículo 413. Ao chegarem na cela, os agentes encontraram uma broca, duas serras, uma matraca (objeto fabricado pelos detentos com tubo de PVC e utilizado para estourar o concreto), linha, sabão e uma tira de lençol. Os detentos foram colocados, dois a dois, em celas separadas e o cubículo, interditado.
De acordo com o vice-diretor da CCL, major Raul Vidal, os equipamentos podem ter entrado na carceragem no ânus de um visitante. Ele explicou que a broca e as serras são amarradas, colocadas dentro de um preservativo e, posteriormente, introduzidas no corpo. ''Antes eram mulheres que utilizavam esse meio. Mas agora os homens são maioria'', frisou.
O major acredita que os materiais não foram introduzidos na carceragem por familiares dos detentos do cubículo 413 mas sim, de uma cela vizinha, onde estão alojados alguns travestis. Vidal acrescentou que os detentos ainda estavam concluindo o plano de fuga, e que dificilmente tentariam fugir naquela noite. ''Acho que eles aproveitariam o final de semana quando ocorrem as visitas e os agentes estão mais ocupados'', observou.
No cubículo ficaram as marcas da ação dos detentos. Uma barra de ferro foi retirada da parte superior da grade e buracos foram feitos nas paredes. Para não chamar atenção dos agentes, os detentos colocavam uma massa formada por pasta de dente e sabão nos buracos. Conforme o major, os seis detentos serão julgados pelo Conselho de Disciplina da Casa, e poderão ser condenados a até 30 dias de isolamento.
De acordo com o vice-diretor, a superlotação na CCL é um dos fatores que levam os detentos a tentarem uma fuga. A carceragem, construída para abrigar 320 presos, conta atualmente, com 410 detentos. As celas que deveriam abrigar quatro, estão com seis detentos cada uma.
Desde a inauguração da CCL, no final de 2001, apenas uma fuga foi registrada no início do ano passado. Na ocasião, quatro detentos fugiram utilizando sistema parecido ao desta tentativa.


