Os donos das duas funerárias de Campo Mourão, Ademir Sobral de Jesus (Sesf) e Antônio Aparecido Saganski (São Pedro) negaram ontem durante acareação na CPI dos Serviços Funerários que havia um acordo com a Comissão Municipal de Serviços Funerários (CMSF) para que os serviços complementares fossem cobrados ‘‘por fora’’, sem nota fiscal. A negação contrariou o depoimento que os dois haviam dado à CPI no mês passado.
‘‘Me expressei errado’’, disse Sobral. Segundo ele, a cobrança dos serviços extras (flores, cruzes e coroas de lata) não era discriminada em nota fiscal devido a uma falha na lei municipal. O empresário afirmou que a legislação em vigor no município diz que ele deve discriminar nas notas apenas os serviços considerados obrigatórios pela lei, como o preço da urna funerária. Saganski também disse que havia entendido mal e que, na verdade, ‘‘não houve acordo’’.
No mês passado, quando os dois depuseram pela primeira vez, eles disseram que um acordo permitia a cobrança ‘‘por fora’’ para evitar que fossem dados novos reajustes nos preços dos caxiões. O então presidente da CMSF, Waldemar Fenerich, negou a existência do acordo, o que forçou a acareação. Ontem, Fenerich voltou a dizer que a Comissão Municipal não fez o acordo até porque não tinha competência para autorizar a não emissão de notas fiscais.
‘‘Está havendo muita contradição’’, reclamou o vereador Luiz Carlos Kehl (PFL). ‘‘Um dia os senhores vêm aqui e dizem que existe acordo. Agora negam tudo. Não dá para entender’’. Os dois empresários admitiram à CPI que o procedimento estava errado e anunciaram que vão recolher todos os impostos até agora sonegados. ‘‘A prefeitura já está fazendo o levantamento do que deixou de ser recolhido’’, anunciou Saganski.

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