Os 390 agentes que atuam no Programa Saúde da Família (PSF) em Londrina estão sem reajuste de salário há três anos. Por oito horas diárias de trabalho, eles ganham R$ 329,00 por mês. ''Vamos nas casas das pessoas, atuamos na prevenção, identificação e controle de doenças como hipertensão e diabetes, fazemos acompanhamento de gestantes e da vacinação de crianças, entre outras ações. Nosso trabalho é abrangente, mas não somos devidamente valorizados'', queixa-se uma agente, que prefere não ser identificada.
Ela lembra que grande parte da população acha que os agentes são profissionais bem pagos. ''Tem gente que acha que ganhamos uns R$ 800,00. Nossa intenção é esclarecer a população sobre a nossa importância para a saúde pública do município.''
O presidente do Sindicato dos Empregados em Estabelecimentos do Serviço de Saúde de Londrina (SinSaúde), Paulo Cezar Daniel, explica que quando assumiu a diretoria, em setembro do ano passado, a convenção, que deveria ter sido assinada em maio, ainda estava em aberto, e a informação da Secretria de Saúde é que não havia recursos para reajustes.
''Pedimos uma planilha de custos no final do ano, porque tivemos informação de que haveria uma distorção entre o volume de recursos que vem do Ministério da Saúde e o que é repassado para o PSF'', informa Daniel.
O presidente do SinSaúde disse ainda ter sido informado que apenas um uniforme vem sendo entregue a cada equipe, quando a convenção prevê a entrega de dois uniformes.
''Estamos checando estas informações. Outro problema grave que temos é a não distribuição de protetor solar para os agentes. Esta é uma reivindicação antiga, que nunca foi atendida.''
O secretário municipal de Saúde, Sílvio Fernandes, informou ontem que as negociações com o sindicato estão sendo feitas, mas não revelou se há possibilidade de reajustes salariais. Quanto a distorções entre os recursos recebidos e o que é aplicado no PSF, ele disse que ''não faz sentido''. Segundo Fernandes, o valor repassado pelo Ministério da Saúde não cobre os gastos com o Programa. ''O município custeia uma parte'', garantiu, mas disse não ter os números de cabeça.
A Folha tentou levantar a informação na diretoria financeira da Secretaria, mas a informação é que a pessoa responsável estava em reunião em outro local. (S.L.)

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