Agentes do interior não querem remanejamento para Curitiba
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segunda-feira, 14 de maio de 2001
Célia Guerra De Londrina 
Agentes da Penitenciária Estadual de Londrina (PEL) estão se mobilizando contra a transferência de pessoal determinada pelo Departamento Penitenciário (Depen). Pela determinação estão previstos o remanejamento de 10 agentes (cinco da PEL e cinco da Penitenciária de Maringá - PEM), até o próximo dia 20. Os agentes, segundo Vivaldo Soares da Silva, seriam remanejados para a Penitenciária Central do Estado (PCE), em Piraquara (Região Metropolitana de Curitiba), para suprir a falta de efetivos.
O remanejamento atingiria os funcionários solteiros, com menos tempo de trabalho e com maior número de faltas. Até as faltas justificadas estariam sendo contadas. Os agentes alegam que as transferências são arbitrárias, pois estariam reduzindo ainda mais o número de pessoal das penitenciárias e não resolveriam o problema da PCE. Na PEL os funcionários preparam um abaixo-assinado que será anexado a um mandado de segurança que estarão pedindo, nesta semana, para evitar o remanejamento.
O Sindicato dos Servidores do Sistema Penitenciário do Estado, segundo Soares, teria a informação de que há na Capital cerca de 200 agentes trabalhando em atividades fora de suas funções.A volta desse pessoal que já está lá traria melhores resultados, conclui.
A presidente do sindicato, Sandra Márcia Duarte, confirmou que levantamento feito no ano passado apurou que há 124 agentes em atividades fora da escala, mas na época, a entidade concluiu que o desvio de função era necessário. Falta pessoal administrativo nos locais onde estão trabalhando, e se os agentes saírem de lá, estes departamentos param.
A expectativa do sindicato era entrar ainda ontem com mandado de segurança preventivo para evitar as transferências. Sandra Duarte compartilha da opinião de que o remanejamento de 10 agentes não resolve o problema da PCE. A transferência é arbitrária e irresponsável, pois vai debilitar a segurança destas duas cidades que têm suas unidades funcionando bem. Londrina e Maringá devem se mobilizar e exigir da Secretaria de Segurança Pública uma resposta mais efetiva do governo no que diz respeito ao sistema penitenciário, sugere a sindicalista.
O diretor da PEL, Raimundo Hiroshi Kitanishi, disse que os cinco agentes não provocarão um caos, mas a Penitenciária vai sofrer a falta de mais funcionários. Ele está preparando um material para o coordenador do Departamento Penitenciário (Depen), Pedro Marcondes, pedindo que se sensibilize com a situação. Com esse documento será anexado um demonstrativo de pessoal com o número de agentes que a PEL dispõe. Muitos deixaram o emprego, outros faleceram e as vagas não foram preenchidas, reclama.
No mês passado os agentes da PEL realizaram protestos contra o remanejamento de 40 agentes (20 da PEL e mais 20 da PEM). O agente Marcos Correia de Andrade entrou com um mandado de segurança alegando que havia prestado concurso para Londrina e não aceitaria a transferência. A Folha tentou falar com o coordenador do Depen e o diretor da PCE, mas não obteve resposta. (Colaborou Silvana Leão)


