Agentes decidem entrar em greve hoje
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 15 de janeiro de 2003
Fábio Galão<br>Reportagem Local 
Os agentes penitenciários das casas de Custódia de Londrina e Curitiba entram em greve por tempo indeterminado a partir de hoje. A decisão foi tomada numa assembléia realizada, ontem pela manhã, na capital. O Sindicato dos Servidores Penitenciários do Estado do Paraná (Sinspp) reivindica equiparação dos salários dos agentes de disciplina das casas de custódia, que são contratados do Instituto Nacional de Administração Prisional (Inap), ao piso dos agentes penitenciários do Estado.
''O salário inicial de um agente na Casa de Custódia de Londrina é R$ 550, enquanto o de um agente penitenciário na Penitenciária Estadual de Londrina (PEL) é R$ 1,3 mil'', disse a delegada regional do Sinspp em Londrina, Alessandra Rodrigues Celestino. Ontem à noite, seria realizada na cidade uma assembléia com funcionários da Casa para definir as ações dos primeiros dias de paralisação.
Na Casa de Custódia de Londrina, 84 agentes de disciplina atendem 320 presos em 72 celas. O diretor da CCL, major Édison Marcos Tomaz, não teme dificuldades no trabalho devido à greve. ''Por lei, eles (os agentes de disciplina) têm que dispor um terço do total de agentes, o que representaria pouco mais de 25 funcionários, o que permite o funcionamento'', argumentou. ''A greve faz parte da democracia e estas pessoas (os agentes) são responsáveis, não haverá problema. Até porque a adesão (à paralisação) não parece ser unânime'', acrescentou.
A coordenadora-assistente do Departamento Penitenciário (Depen), Margaret Rodrigues, explicou que o órgão está realizando um levantamento nas casas de custódia para disponibilizar um contigente de funcionários de sobreaviso caso a greve gere problemas. ''Numa situação extrema, o Depen e a Polícia Militar podem oferecer agentes às casas. Mas acho que isso não será necessário, pois o próprio Inap possui um contigente sobressalente, de funcionários que não aderiram à paralisação'', afirmou a coordenadora.
O Depen também se oferece para intermediar as negociações entre o Sindicato e o Inap no dia 22, em Curitiba, haverá uma reunião na Delegacia Regional do Trabalho (DRT). A posição oficial do Inap é que a empresa desconhece o sindicato certo com quem negociar, já que pelo menos quatro entidades estariam fazendo a mesma reivindicação de equiparação de salários, e que as negociações só poderiam ser iniciadas quando um órgão único de representação fosse definido.


