Os agentes comunitários e as equipes de saúde da família estão modificando o modelo de assistência nos municípios. ‘‘Ao invés do médico que fica no posto, aguardando os doentes, nós trabalhamos junto à comunidade na prevenção aos problemas’’, diz a diretora do grupo de planejamento da Secretaria da Saúde, Márcia Huçulak.
A nova forma de atuação leva os agentes e as equipes a procurar identificar, nos locais onde trabalham, situações de risco à saúde das pessoas. O enfoque é o da prevenção e orientação da comunidade.
Os resultados já são visíveis. ‘‘Nos 263 municípios onde existem agentes ou equipes trabalhando conseguimos aumentar o número de vacinações, reduzir alguns tipos de internações, como a de pneumonia, pela atuação precoce dos profissionais, aumentar a adesão ao pré-natal e ao aleitamento materno’’, cita Márcia. Outra vitória foi conseguir que os portadores de hipertensão, tuberculose ou hanseníase mantivessem o tratamento, mesmo após a melhoria dos sintomas.
Mas o principal índice que vai ser festejado pelo governo do Estado é a queda da mortalidade infantil. Os números serão anunciados no final do mês, mas a Secretaria da Saúde já adianta que, de 1995 para cá, a redução foi significativa. E isso graças a diversas ações adotadas pelo governo, como o maior investimento em UTI infantil, a melhoria do pré-natal, o programa Protegendo a Vida e as ações dos agentes comunitários e da saúde da família.
Um dos pontos mais visados para melhorar a atuação dos profissionais é o treinamento, feito através de cursos de extensão realizados nos municípios. Os quase dois mil agentes e 109 equipes de saúde da família passam obrigatoriamente por vários deles.
Desde 1997 foram mais de 12 treinamentos e estão previstos pelo menos mais três até o final do ano. Coordenados pela Secretaria da Saúde, os cursos contam com o apoio e a parceria das cinco universidades estaduais e estão conseguindo formar profissionais no novo modelo de atendimento.
No segundo semestre, o número de agentes comunitários no Estado vai subir de 1.956 para 3 mil e poderá fechar o ano com mais do que isso. O mesmo vai ocorrer com as equipes de saúde da família, que passam de 109 para 146 nos próximos meses.
Também devem aumentar os municípios que participam do projeto. Hoje são 263, mas a Secretaria da Saúde está orientando mais 30. ‘‘Existe bastante demanda dos municípios’’, afirma Márcia.
Para participar do projeto, o município deve entrar em contato com a Secretaria da Saúde, informando a população, o número de agentes que precisa e as ações que já são encaminhadas pela Secretaria Municipal de Saúde. O Estado oferece o treinamento introdutório e periódico do agente, orientação e programa de atuação, auxilia no mapeamento da região e oferece o profissional de enfermagem que vai supervisionar o trabalho.
‘‘A Secretaria da Saúde incentiva e oferece todo o apoio para o trabalho, mas o município tem de querer participar do projeto’’, diz a diretora.
Ao entrar no projeto, cada município passa a ter uma enfermeira supervisora dos agentes. No caso da saúde da família, as equipes têm, no mínimo, um médico, um enfermeiro e um auxiliar de enfermagem. Dependendo da realidade do local, são agregados outros profissionais, como dentistas, agentes de alcoolismo e assistentes sociais. O número de agentes e de equipes varia segundo as necessidades do município. Uma cidade como Curitiba, por exemplo, conta com 59 equipes de saúde da família.
Para acompanhar de perto o trabalho que está sendo desenvolvido pelos grupos, a Secretaria da Saúde implantou um programa de avaliação do projeto. Cerca de um terço dos municípios participantes já estão implantando o sistema de registro de casos. Neles, tanto o agente quanto a equipe registram cada uma das suas ações em fichas. Essas fichas são passadas para o computador no município ou na Secretaria da Saúde. ‘‘Até o final de julho todos os municípios estarão fazendo este registro’’, prevê Márcia Huçulak.
Para garantir o sucesso dessa investida, a secretaria está promovendo o treinamento dos supervisores dos agentes comunitários e orientando o preenchimento dos registros. No final do ano, o Estado terá condições de traduzir em números os resultados positivos do projeto.Agentes comunitários e equipes de saúde da família, apoiados pelo Estado, estão conseguindo melhorar o quadro de saúde
Arquivo FolhaOrientaçãoAo invés de ficar no posto de saúde, as equipes vão até a casa das pessoas, atuando na prevenção das doençasO número de agentes no
no Estado vai subir
de 1.956 para 3 mil
até o final do ano

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