Agentes da P-2 são retirados do tribunal
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terça-feira, 31 de março de 1998
Cristine Pieske 
Marcelo AlmeidaAdvogados de defesa pedem à juíza Marcelise Lorite que mande retirar da sala quatro supostos agentes do serviço secreto da Polícia Militar, acusada de torturar Celina e Beatriz Abagge, quando foram presas em 1992As rés Celina e Beatriz Abagge pediram ontem ao advogado de defesa, Antonio Figueiredo Basto, que solicitasse à juíza Marcelise Weber Lorite a retirada de quatro pessoas do auditório do Fórum de São José dos Pinhais. As pessoas, sentadas imediatamente atrás de Celina e Beatriz, seriam integrantes da P2 - serviço secreto da Polícia Militar do Paraná, acusado de ter torturado as rés na época do crime. A juíza não confirmou publicamente o pedido do advogado e disse que os policiais estavam lá porque foram designados para fazer sua segurança pessoal. Mesmo assim, os policiais acabaram deixando o tribunal.
Segundo Figueiredo Basto, os policiais, que estavam à paisana, devem ter comparecido ao julgamento numa tentativa de monitorar os trabalhos da defesa. Desde o início da tarde, quando a leitura das peças da defesa foi retomada, mãe e filha estavam visivelmente incomodadas. Ao contrário dos outros dias, quando acompanhavam em silêncio a exibição de documentos, Celina e Beatriz estavam irrequietas e com frequência se viravam para observar a platéia. Em determinado momento, Celina chamou a advogado de defesa e disse que teria reconhecido, entre os espectadores, os policiais que a teriam torturado.
O advogado solicitou então que os agentes fossem retirados da sessão. A presença deles constrange e assusta minhas clientes, e elas têm todo o direito de não aceitar a este tipo de atitude, disse Basto. Em entrevista à imprensa, a juíza negou que tivesse recebido o pedido e afirmou que os policiais estão assistindo ao julgamento desde o primeiro dia cumprindo ordens de garantir sua segurança pessoal.


