Agentes da CMTU: heróis ou vilões?
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quinta-feira, 01 de junho de 2006
Fernando Rocha Faro<br> Reportagem Local 
Um dos maiores alvos de críticas dos londrinenses atualmente, os agentes de fiscalização de trânsito e de posturas da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU), vivem entre a cruz e a espada. Dividem-se entre zelar pelo cumprimento da lei e sofrer o risco constante de censura e até agressão física de cidadãos descontentes com as possíveis multas.
A chefia do setor, no entanto, garante que os agentes são abertos ao diálogo, nega que exista uma indústria da multa na cidade e procurar demonstrar a importância do trabalho de fiscalização para manter a segurança nas ruas e calçadas da cidade.
''A pessoa muda o conceito sobre o trabalho dos agentes quando vê um filho no chão, depois de um acidente de trânsito'', argumenta o chefe da fiscalização da CMTU, João Arruda. Ele estima que o número de multas aplicadas por seus agentes não é alto se comparado às infrações que ocorrem todos os dias.
A média é de 2 mil multas por mês. A estatística não inclui as infrações autuadas pela Polícia Militar e pelos vídeovigias. Arruda estima que cada motorista cometa aproximadamente três infrações por dia. ''Imagine o número de infrações que são cometidas diariamente em Londrina'', sugere. Para ele, a quantidade de infrações não penalizadas prova que não existe indústria da multa na cidade.
Outro número bastante alto é o de reclamações recebidas, tanto pelo setor de trânsito quanto pelo de posturas da Companhia. Em abril, por exemplo, foram formalizadas 245 queixas com relação ao trânsito. O desrespeito ao Código de Posturas do Município motiva, em média, 140 reclamações mensais.
As queixas têm de ser atendidas por 45 agentes de trânsito e 16 de posturas. E a lista de itens fiscalizados é interminável: feiras livres, moto-táxi, camelôs, Zona Azul, mercadorias nas calçadas, som alto nos estabelecimentos comerciais, publicidade irregular, caçambas, carga e descarga, carrinhos de lanches, embarque e desembarque.
''Até para retirar cachorro morto do meio da rua já ligaram pra gente. Nesse caso, orientamos para o procedimento ideal, que é acionar a Sema (Secretaria Municipal do Meio Ambiente)'', comenta Arruda.
O agente de trânsito Pedro (nome fictício) acredita que a imagem ruim dos agentes perante à população é resultado do histórico da Companhia. ''Antes a política era a da quantidade. Hoje é a da qualidade'', compara o fiscal, que mais de uma vez já foi vítima de agressão por pessoas indignadas por receber autuações.


