Os agentes da Penitenciária Estadual de Londrina (PEL) estão indignados com a avaliação da Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados Federais sobre as denúncias de tortura de presos. Segundo eles, os representantes da comissão se basearam somente na versão dos presos.
Ontem de manhã, o diretor da PEL, Dyson Ferreira de Pinho, e os agentes convocaram a imprensa para se defender das acusações de tortura divulgadas semana passada durante visita da CDH. Segundo o chefe de segurança da Penitenciária, Luciano Pereira dos Santos, essa denúncia é mentirosa e partiu de presos que comandaram a tentativa de fuga no dia 19 de outubro. ‘‘Eram 49 detentos da sétima galeria que precisaram ser contidos com uso de força, mas ninguém foi torturado. Dois ou três sofreram escoriações leves e um agente ficou realmente ferido. Se não agíssemos rápido cerca de 40 pessoas seriam mortas aqui dentro’’, justificou Santos.
Conforme relato dos agentes, o plano de fuga foi articulado por 15 presos transferidos das Penitenciárias Central do Estado e do Ahú. ‘‘O objetivo era a remoção de avião para outros presídios menos seguros, onde a possibilidade de fuga é maior’’, explicou Pinho. Os agentes argumentam que na repressão à fuga o único instumento utilizado foi a tomfa (espécie de cacetete) contra os estoques de ferro fabricados clandestinamente pelos presos.
Segundo o agente Adalto José Koscosqui, que trabalha há seis na PEL, a maioria dos presos queixosos se machucou praticando esportes. A opinião da CDH sobre os métodos utilizados para evitar a fuga deixou os funcionários descontentes e temerosos do impacto que ela terá na opinião pública. ‘‘Fatalmente sentiremos a repercussão desse fato dentro e fora da penitenciária’’, previu Koscosqui.
Os quatro presos que assumiram a coordenação da tentativa de fuga foram isolados por 30 dias e serão responsabilizados por danos ao patrimônio público. Por enquanto, a Secretaria de Estado de Segurança Pública ainda não pediu a instauração de uma sindicância interna para apurar as denúncias contra os agentes.
A diretoria e os cerca de 120 agentes da PEL confiam no trabalho de ressocialização dos presos e nas estratégias de segurança do estabelecimento. A lotação não é um problema para eles. Com capacidade para 360 homens de alta periculosidade, hoje ela abriga 376. ‘‘A dificuldade é administrar a influência e a ação que dos presos mais problemáticos que foram transferidos para cá. São homens com até 200 anos de prisão que não vão sossegar enquanto não escaparem’’, disse Santos.

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