Kraw PenasGrevistas com cartaz diante do presídio do Ahú: embromaçãoTodas as unidades do Sistema Penitenciário do Estado amanheceram ontem com piquetes nas portas de entrada, dificultando o acesso dos funcionários. Na Prisão Provisória do Ahú, em Curitiba, um grupo de mais de cem pessoas tentava conscientizar os funcionários que chegavam para trabalhar sobre a importância da paralisação. Embora ninguém tenha sido impedido de entrar, os que optavam por trabalhar eram vaiados.
O agente penitenciário da Colônia Agrícola de Piraquara Adílson Borges foi um dos que chegaram cedo ao piquete do Ahú, na tentativa de conscientizar os colegas. ‘‘Há 22 meses não temos nenhum reajuste de salário’’, denunciou. Ele reclamou também das péssimas condições de higiene e segurança dos agentes.
‘‘Estou com conjuntivite, que peguei dos presos com os quais convivo. Tenho medo de pegar uma doença mais grave.’’ Borges contou que seu salário é de R$ 247,00. ‘‘Tenho três filhos e não consigo viver.’’
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Apesar da movimentação em frente ao presídio, a rotina interna do Ahú não foi alterada. ‘‘Nossos 800 presos estão trabalhando normalmente em suas atividades externas, como a horta, a cozinha e a marcenaria’’, garantiu o diretor da prisão, José Guilherme Assis. Segundo informou, 50% dos 310 funcionários trabalharam ontem.
Na opinião do coordenador geral do Sistema Penitenciário do Estado, Cezinando Paredes, a ‘‘situação não é tão grave.’’ Ele garantiu que a visita aos presos, realizada semanalmente aos domingos, está garantida. ‘‘Nem que precisemos contar com a Polícia Militar.’’
O sistema penitenciário do Estado conta com 2 mil funcionários, dos quais 65% são agentes carcerários. O presidente do sindicato, Ismael Meira, afirmou que o movimento será mantido até que haja uma negociação salarial com o governo. Apesar disto, o sindicalista garantiu a manutenção de um mínimo de 40% da guarda interna, considerada atividade essencial. ‘‘É a forma de garantir a legalidade da greve.’’

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