Cerca de 300 agentes de saúde contratados em abril do ano passado para o Programa Saúde da Família, em Maringá, lotaram o plenário da Câmara Municipal ontem à tarde para protestar contra o Tribunal de Contas que considerou a contratação dos servidores irregular e determinou a demissão dos agentes. Por considerar a contratação ilegal, os servidores estão ameaçados de serem demitidos sem direito aos encargos sociais, o que gerou revolta ainda maior dos agentes de saúde.

De acordo com o secretário de governo, Silvio Luiz Januário, a administração municipal foi comunicada sobre a irregularidade na contratação dos servidores que atuam no programa Saúde da Família em abril deste ano. ''Estávamos tentando uma negociação com o Tribunal de Contas porque somos contra as demissões'', disse. Segungo ele, o município perde muito com a demissão dos servidores, já que investiu na preparação dos mesmos há mais de um ano.

Os servidores ficaram sabendo que poderão perder o emprego e não receber os direitos trabalhistas em reunião do Sindicato dos Trabalhadores na Saúde, realizada anteontem à noite. Revoltados, eles procuraram o prefeito José Claudio Pereira Neto (PT), ontem de manhã, e foram orientados a se organizarem. Segundo o prefeito, não há mais nada a fazer por via burocrática. ''Só vamos resolver essa questão politicamente'', disse o prefeito aos servidores. Ele mesmo orientou os agentes a formarem uma comissão e pedir apoio dos vereadores para que se manifestem junto ao presidente do Tribunal de Contas.

De acordo com o vereador Paulo Mantovani (PSDB), a Câmara vai apoiar os servidores. ''Vamos juntos com eles até ao Tribunal de Contas e pedir para que mantenha esses servidores, até porque não podemos deixar que o atendimento que eles prestam para a população seja interrompido'', disse. Conforme a agente de saúde Sandra Regina da Cruz, os servidores que atuam no programa estão divididos e não sabem se vão continuar trabalhando normalmente. Segundo ela, a maioria dos funcionários tinha consciência de que seria demitida porque eles foram contratados pelo ex-prefeito Jairo Gianoto. ''Mas ser demitido sem nenhum direito, isso ninguém aceita'', reclamou.

mockup