Agentes admitem que sentiram medo
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 14 de dezembro de 2000
Silvana Leão De Londrina 
Naquela hora pensei: estou morto. Com esta frase, o agente penitenciário Vanderlei Vitti definiu o que sentiu no momento em que foi jogado de uma escada de aproximadamente três metros, durante a rebelião na Penitenciária Estadual de Londrina (PEL), ontem de manhã. No início da tarde ele e mais três agentes que foram agredidos no motim fizeram exame de lesões corporais no Instituto Médico-Legal (IML). Vitti apresentava escoriação perto do queixo, feita por estoque, e muita dor nas costas, causada pela queda.
Outro agente, Ederval Everson Batista, trabalha na PEL há seis anos e pela segunda vez foi transformado em refém. Ele admitiu o medo que sentiu: A gente passa por treinamento antes de começar a trabalhar, mas não é a mesma coisa. Não tem como não sentir medo numa hora daquela.
Para Batista, o resultado da rebelião só não foi pior porque os presos não estavam preparados para aquele tipo de ação. Eles não planejaram direito, nem sabiam o que queriam. O agente também elogiou o trabalho do pelotão de choque. Segundo ele, se os policiais não chegassem tão rapidamente, o sofrimento teria sido muito maior.
José Roberto Ferreira, que é agente há sete anos, teve o nariz e um dedo quebrados e cortes na cabeça. Eu já tinha presenciado outras rebeliões, mas esta foi a primeira vez que fui machucado, afirmou. O agente que sofreu ferimentos mais graves foi Norival Carvalho, vítima de vários cortes na cabeça. Ele foi encaminhado ao Hospital da Zona Sul e liberado no meio da tarde.
Também submeteram-se a exame de corpo de delito no IML alguns dos policiais militares que participaram da operação. Para poder atender todos, o médico chefe do Instituto, Antonio Carlos de Queiroz, e o psiquiatra Daniel Martins assumiram a responsabilidade pelos exames. Com o pedido de demissão de oito médicos-legistas, no início desta semana, o quadro do IML encontra-se desfalcado.


