Agente penitenciário faz amigos na prisão
Ficar preso durante 24 horas a cada dois dias para vigiar quase 600 presos condenados. Essa é a rotina de trabalho do agente da Penitenciária Estadual de Londrina (PEL), Renato José Soares, 41 anos. Mas fora o estresse e a tensão da profissão, ele aprendeu a lidar com as adversidades do trabalho e se tornou inclusive amigos de ex-detentos que cumpriram suas penas e voltaram para o convívio social.
Facilidades não existem no serviço de Soares. Ele fala que alguns companheiros precisam de ajuda, inclusive de remédios, para conseguir trabalhar. O que o ajudou foi a experiência acumulada durante nove anos como soldado da Polícia Militar. Mesmo assim, quando entrou pela primeira vez no pátio onde estavam 250 presos sentiu ''um frio na espinha''. Mas agradece por ter tido que usar de força em poucas ocasiões.
Casado, pai de dois filhos, Soares diz que se esforça para não levar os problemas para casa mas quando deixa o plantão demora algumas horas até conseguir relaxar e curtir a família. ''Nesta profissão, não existe desgaste físico mas mentalmente o sujeito fica arrasado'', afirma. Mas se a esposa e os filhos já se acostumaram com a profissão, a mãe nem tanto. ''Ela liga com frequência em casa'', aponta.
Religioso, o agente diz que pede proteção divina em todo início de plantão para fazer um trabalho conforme manda a Justiça e que procura não pensar na possibilidade de virar refém em algum tumulto. Sua orientação cristã também o ajudou a fazer amigos. ''Muitos aqui dentro se converteram e trato eles como irmãos de fé. Alguns até já foram me visitar em casa'', fala. Até mesmo o criminoso tido como um dos mais perigosos do Estado, Marcelo Borelli, ganhou uma bíblia de presente do agente. ''Ele dizia que não acreditava em Deus mas no dia em que foi para Curitiba levou a bíblia na mão.''





