Agente funerário monta carro gigante
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 30 de abril de 1998
Sid Sauer 
Simone GirotoO agente funerário Venício Bittencourt ao lado de seu invento: uma Caravan de 5,72 metros de comprimentoNão há como passar pela BR-158, dentro do perímetro urbano de Peabiru (12 km ao norte de Campo Mourão), sem notar a presença de uma estranha Chevrolet Caravan que está sempre estacionada no pátio de uma funerária da cidade. Diferente das Caravan normais, ela tem 5,72 metros de comprimento e, o que é mais curioso, conta com três eixos.
O inventor da Caravan gigante é o agente funerário Venício Bittencourt, 62 anos, que mora em Peabiru há 36 anos.
Às vezes deixo o carro escondido para não chamar muito a atenção, confessa o empresário. Ele teme que alguém mais curioso freie bruscamente na rodovia para ver melhor a sua Caravan e acabe provocando um acidente.
Freadas mais fortes para evitar batidas eu já vi bastante, conta. O projeto da supercaravan foi simples. Bittencourt comprou uma Caravan com a frente batida e aproveitou a traseira para emendar a um outro carro 1975 que ele já tinha.
A idéia inicial era fazer um carro funerário de luxo. Espaço para isso é o que não falta. Além dos bancos para cinco pessoas sentadas, a supercaravan tem um superporta-malas com 2,20 metros de comprimento, mais do que suficiente para o transporte de um caixão.
Bittencourt, no entanto, nunca estreou o veículo como superfunerária. Desisti da idéia porque a cidade é pequena e não ficaria bem fazer o funeral apenas de alguns com o carro especial, explica.
Bittencourt desistiu da superfunerária, mas não abandonou o projeto da supercaravan. Com a ajuda de um mecânico latoeiro, ele concluiu o carro por fora e agora só precisa do acabamento interno.
É pouca coisa, mas eu não tenho tempo, diz. Com o carro incompleto, o máximo que Bittencourt faz é dar umas voltinhas pela cidade. Quando tudo estiver pronto, no entanto, ele pensa em ir à praia com a limusine.
O agente funerário não se preocupa com a documentação do veículo adaptado. Acho que não terei problemas porque não mexi na aerodinâmica, ressalta. Só aumentei o tamanho.
Transformar a supercaravan em carro funerário? Só se expandir o negócio para uma cidade maior. Aos interessados, Bittencourt avisa: não vende o veículo (pelo menos enquanto ele não estiver totalmente pronto) e não constrói outro. É muito trabalhoso, informa.


