Agente entra com droga na PCE
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segunda-feira, 03 de agosto de 1998
James Alberti 
O agente prisional Antônio Carlos Modesto Gonçalves, 38 anos, foi preso em flagrante, no sábado, quando assumia seu plantão e tentava entrar com um quilo de maconha na Penitenciária Central do Estado (PCE), em Piraquara. Com 10 anos de trabalho e salário de cerca de R$ 800,00 mensais, Gonçalves disse que tinha problemas familiares e precisava de dinheiro. Para entrar com a droga, que iria entregar a um detento, cujo primeiro nome é Rosildo, o funcionário público iria receber R$ 600,00. Dentro da PCE, segundo o delegado de Piraquara, Maurilúcio Alves de Souza, a droga valeria R$ 2 mil.
Foi um minuto de fraqueza e aceitei a proposta do detento, disse Gonçalves. Pai de dois filhos, ele chorou durante a entrevista com a imprensa, na delegacia, e disse que estava arrependido. Nasce aqui mais um bandido, disse Gonçalves, referindo-se ao fato de ir para a prisão e conviver com outros marginais. Para ele, de lá ninguém sai recuperado. Gonçalves negou que tenha envolvimentos anteriores com o tráfico de drogas e afirmou que essa é a primeira vez que tentou entrar com drogas na prisão. Apesar disso, ele admitiu que o consumo de entorpecente na cadeia é grande. Não sei de onde vem (a droga), disse.
O delegado disse estar espantado com o número de ocorrência dentro da PCE. Segundo ele, pelo menos 30% dos registros criminais na cidade têm relação direta com o presídio. Dos 300 inquéritos instaurados desde o começo do ano, 100 são de ocorrências de dentro da PCE e têm a ver com tóxicos, disse. Isso leva Souza a acreditar que outros agentes prisionais estejam envolvidos com o narcotráfico.
Sem antecedentes criminais, Antônio Gonçalves foi surpreendido por dois colegas, que fizeram uma revista e encontraram os dois pacotes da droga escondido dentro da jaqueta. Fui alcaguetado, afirmou Gonçalves. Na prisão acontece isso e eu caí nessa. Morador de Almirante Tamandaré, o funcionário público disse que conseguiu a droga no centro de Curitiba, com uma mulher da qual ele diz não saber o nome.


