Um crime frio e possivelmente premeditado tirou a vida do agente da Penitenciária Estadual de Londrina (PEL) Francisco Gonçalves Filho, 42 anos. Ele foi executado com 19 disparos de pistola e revólver calibre 38 quando chegava em casa com os filhos, na noite de terça-feira. 'Chiquinho', como era conhecido pelos familiares e amigos, trabalhava na PEL desde 1996, e morava no Conjunto Luiz de Sá, Zona Norte de Londrina.
Segundo informações da Polícia Militar, a vítima estava chegando na residência com um de seus filhos, no veículo Renault Clio, quando foi abordado por dois homens que estavam em uma motocicleta Honda Bizz de cor vermelha. Os criminosos dispararam os tiros contra o agente e fugiram em seguida. Até o final do dia, não havia nenhuma pista dos homicidas. De acordo com informações do Corpo de Bombeiros, Francisco foi alvejado em diversas partes do corpo, mas principalmente no tórax e na cabeça. A polícia informou que pelo menos 14 tiros teriam acertado o corpo do agente, que não teve tempo de pegar a pistola que trazia no porta-luvas do carro.
Francisco era graduado em Economia, tinha três filhos e também havia trabalhado como agente na Penitenciária Estadual de Maringá (PEM). Na noite de terça-feira ele tinha acabado de encerrar o expediente na PEL e estava de folga. Para o diretor da PEL, Diógenes Gonçalves, não há dúvidas que o crime se tratou de uma execução e que tem algum tipo de ligação com o trabalho do agente. ''Ele sempre foi um funcionário muito bom que nunca apresentou nenhum tipo de problema, nenhum fator negativo que pudesse causar algo como isso''. Ainda segundo o diretor, ao longo de sua carreira, o agente teria realizado diversas apreensões de drogas dentro da PEL, além de diversos procedimentos normais da sua rotina de trabalho. ''Com certeza todo o pessoal aqui está bastante apreensivo com o que aconteceu e ninguém esperava que algo como isso pudesse ocorrer'', lamentou.
Na manhã de ontem, durante o velório, realizado na casa da mãe da vítima, no Conjunto Luiz de Sá, amigos, familiares e diversos agentes penitenciários estiveram reunidos para se despedir de Francisco. Revoltados com a morte do colega, alguns agentes, que preferiram não se identificar, desabafaram que esse tipo de crime só acontece por que há uma ''legislação que protege os bandidos''. ''Esse tipo de coisa é serviço encomendado, execução mesmo. O bandido fez questão de mostrar que sabe fazer o serviço e descarregou a munição nele'', disseram.
O irmão de Francisco, o engenheiro civil José Gonçalves Neto, disse que a família está transtornada. ''Ele sempre soube que era um trabalho de risco, mas gostava do que fazia. Era um cara muito correto, inteligente e assim como outros colegas, era famoso por 'dar o bote certo' e flagrar drogas dentro da PEL''. Segundo ele, a família ficou ainda mais revoltada com a demora no atendimento no Instituto Médico Legal (IML) de Londrina. ''O corpo do meu irmão chegou no IML por volta da meia-noite e só às 6h da manhã tinha profissional para fazer o procedimento. Isso é um absurdo'', lamentou.
Márcia de Souza Marchetti, 42 anos, viúva do agente Luiz Carlos Marquetti, 46, morto a tiros em junho do ano passado, esteve acompanhando o velório de Francisco. Amiga da família, Márcia disse que até hoje o caso do marido não foi solucionado. ''Sentimos que o que fica é a impunidade. Desse jeito, outros casos podem acontecer também porque para os bandidos acaba ficando fácil'', comentou.
Márcia era casada com Marchetti há 22 anos e o casal teve três filhos. Para a viúva, a morte do ex-colega do marido foi como ''reviver novamente'' a morte de Marchetti. ''Eu sei exatamente o que a esposa dele está sentindo. Até o jeito que ele foi morto foi igualzinho. É uma dor enorme. A gente sabe que o trabalho dele era difícil, mas nunca imaginamos que algo assim vai acontecer'', lamentou.
O delegado-operacional de Homicídios, Joaquim de Melo, comentou que os dois principais suspeitos da morte de Marchetti foram presos por outros crimes. Com um deles, foi apreendida uma pistola 9 mm que está sendo periciada. Melo descartou, por hora, relação entre as mortes dos dois agentes embora as ''situações sejam bastante semelhantes''. (Colaborou Luciano Augusto)

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