A entrada em vigor de uma lei estadual que prevê o agendamento do parto desde a realização do pré-natal poderá evitar a superlotação da Maternidade Municipal Lucilla Ballalai, em Londrina. Na semana passada, o veto do governador Roberto Requião (PMDB) ao projeto foi derrubado pelos deputados e deverá ser promulgado ainda esta semana pela Assembléia Legislativa. A regulamentação da lei será feita em 90 dias pela Secretaria de Estado de Saúde. Somente gestantes atendidas pelos Sistema Único de Saúde (SUS) serão beneficiadas.
De acordo com diretor de serviços especiais da secretaria de saúde, Sérgio Canavese, a maternidade realiza cerca de 650 partos por mês, dos quais 80% são pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Os partos de risco, segundo ele, já são encaminhados para o Hospital de Clínicas da Universidade Estadual de Londrina (UEL). Somente em casos de emergência e falta de vagas são acionados os hospitais Evangélico e Infantil, com estrutura para realizar partos de risco. ''Aqui em Londrina não haverá problemas para se adequar à nova lei'', garante Canavese.
A nova lei, segundo a coordenadora de enfermagem da maternidade, Cilene Maria Martins dos Santos, vem desafogar o hospital e incentivar a adequação daqueles já existentes em outros municípios. ''Algumas vezes nós temos que encaminhar as pacientes daqui para Ibiporã, porque não há vagas'', conta a enfermeira Jaqueline Giufrida Gomes Crune. Ela notou que desde dezembro a maternidade tem enfrentado constantemente a superlotação.
A diretora executiva da Secretaria Municipal de Saúde, Margaret Shimit, informou que cerca de 10% dos atendimentos do hospital são de pacientes de cidades vizinhas. ''Constatamos que as secretarias de saúde destas cidades desconhecem que algumas mulheres se dirigem a Londrina. Mas já entramos em contato com os secretários para tentar conter esse fluxo e orientar que os hospitais de lá são tão competentes quanto os de Londrina'', relata. A diretora acredita que muitas pessoas pensam que Londrina tem atendimento melhor porque a cidade é maior.
Outro ponto que será beneficiado pela nova lei é a parte emocional das gestantes. De acordo com a Margaret, em Londrina as Unidades Básicas de Saúde (UBS) já costumam avisar as mães que o parto será na Maternidade Municipal e agendam visitas para elas conhecerem o local. Contudo, segundo Cilene, não há uma tabela que demonstre quantos partos estão previstos para a semana.
A auxiliar de costureira Aline Lima dos Santos da Silva, de 18 anos, que deu à luz na semana passada na Maternidade Municipal conta que, apesar de ser informada que seu parto seria na maternidade, ela enfrentou alguns problemas. ''Eu vim aqui por volta de 4 horas pois estava com contrações e me disseram que estava lotado. Além disso, a dilatação era pouca. Voltei durante à tarde, de ônibus, e a situação era a mesma. Quando cheguei em casa minha bolsa estourou e minha vizinha teve que me trazer de carro'', relembra. A pequena Gabriela só nasceu no início da noite.

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