Agência é denunciada por golpe
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segunda-feira, 21 de outubro de 2002
Mônica Kaseker<br> Equipe da Folha 
Curitiba - Uma agência de turismo está sendo acusada de recrutar pessoas para trabalhar em Portugal irregularmente. Nove pessoas procuraram a advogada Rosane Caldeira e vão entrar com pedido de indenização por danos materiais e morais. Elas teriam chegado em Portugal e, sem encontrar emprego, passado alguns dias vivendo como mendigas, até conseguirem voltar para o Brasil. A dona da agência, Maria Judite Fernandes, nega o golpe e diz que os denunciantes estão agindo de má-fé. A queixa foi registrada na Delegacia do Consumidor em Curitiba há duas semanas e na Embratur, que lavrou um auto de infração contra a agência, no último dia 17 de outubro.
De acordo com o coordenador técnico da Embratur no Paraná, Ion Gaertner Júnior, a empresa foi autuada porque não poderia exercer atividade que não fosse como agência de turismo. ''Eles estavam operando com duplo objetivo social e isso é proibido pelo Decreto 84.934'', explicou Gaertner. Na Delcon, as investigações ainda não começaram, pois estão sendo intimados os donos da agência.
A advogada Rosane Caldeira diz que um dos clientes da agência, Sérgio Augusto de Freitas, viajou pensando em trabalhar como técnico em telefonia, mas em Portugal não encontrou empresas que precisassem de profissionais na área dele. Ele teria dormido com o cachorro de uma família brasileira que ofereceu abrigo a ele, para esperar 12 dias até a data de passagem de volta. A maioria dos clientes teria informado à advogada que a passagem foi financiada em nome de parentes e agora eles estariam com dívidas. ''Alguns encontraram trabalho, mas descobriram que havia brasileiros trabalhando há 45 dias sem receber. Estando ilegais, eles não são pagos e não têm como reclamar'', diz.
A proprietária da agência de turismo, Maria Judite Fernandes, diz que tem testemunhas em sua defesa e que pretende processar os acusadores. Ela diz que realmente tentou trabalhar como agência de recursos humanos para recrutar mão-de-obra para empresas de Portugal, mas como o processo era muito demorado e burocrático, de acordo com ela, achou que não valia a pena continuar.


