A agência de empregos Bolsão de Trabalho, de Foz do Iguaçu, está sendo acusada de cobrar mais de R$ 1.100,00 de grupo de 37 desempregados em troca de uma falsa promessa de trabalho. O diretor da empresa, Edir Barbosa, nega a acusação.
Segundo o encarregado de serviços gerais Claudinei Mauro, 29 anos, que se diz vítima de um suposto golpe, a agência cobrou R$ 45,00 (entre taxa de cadastro e despesas com viagem) de cada um dos 57 desempregados selecionados para trabalhar na construção da hidrelétrica de Porto Primavera, no Rio Paraná, divisa dos estados de São Paulo, Paraná e Mato Grosso do Sul.
Mauro disse que os 57 trabalhadores foram enviados, de ônibus, até o canteiro de obras, com a promessa de serem contratados por períodos de pelo menos dois meses pela empreiteira Camargo Corrêa, em funções como pedreiro, carpinteiro, serviços gerais e armador.
‘‘Mas apenas 20 conseguiram emprego, mesmo assim por salários bem abaixo do que nos foi prometido’’, afirmou. Segundo Mauro, o salário prometido para a função de pedreiro e carpinteiro variava entre R$ 700,00 e R$ 830,00. ‘‘Mas o que ofereceram para essa função foi um salário de R$ 350,00.’’ Mauro afirmou também que a agência encaminhou 30 profissionais da área de serviços gerais, mas a empreiteira não tinha nenhuma vaga disponível a essa função.
O grupo de trabalhadores viajou em um ônibus da empresa Israel Turismo, sediada em Foz do Iguaçu. Segundo Mauro, 13 dos 57 trabalhadores fizeram a viagem - de mais de 900 quilômetros -, em pé, o que desrespeita as leis de segurança. ‘‘Na volta, tivemos que fazer uma vaquinha para que todo mundo pudesse comer pão com banana, porque quase ninguém mais tinha dinheiro’’.
Defesa O diretor da empresa recrutadora de mão-de-obra, Edir Barbosa, disse à Folha que o os trabalhadores foram rejeitado pela construtora Camargo Corrêa porque não preenchiam os requisitos para cada função.
‘‘Alguns não tinham todos os documentos, outros não passaram nos exames médicos, outros se embrigaram durante a viagem e nem chegaram a passar pela seleção e os demais desistiram porque não tinham possibilidade de fazer hora extra e aumentar o salário’’, declarou.
Barbosa afirmou que não é função da agência verificar se os candidatos enviados por ela às empresas possuem os documentos exigidos. Disse também que os operários nunca receberam a garantia de que seriam contratados. Barbosa informou que a agência assinou um documento se comprometendo a encaminhar os trabalhadores rejeitados na hidrelétrica a um novo emprego ou devolver os R$ 35,00 pagos pela passagem de ônibus em um prazo de 30 dias. (Valmir Denardin)

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