Londrina - Até o final do ano, os medicamentos brasileiros deverão ser lançados com duas bulas: uma com linguagem técnica, destinada aos médicos, e outra voltada ao paciente, com informações mais didáticas. Uma consulta pública realizada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), encerrada em fevereiro, reuniu sugestões que devem se tornar lei nos próximos meses, como explica o coordenador do setor de produtos e serviços da Vigilância Sanitária de Londrina, Marcio Adriano Porfírio da Silva.
Segundo ele, entre as proposições da nova lei está a padronização das bulas, que deverão trazer menos termos técnicos e mais informações sobre o uso e as reações adversas provocadas pelo medicamento. "Também deverão ser enfatizados na bula os efeitos causados pelo uso combinado de remédios", assinala Silva, que é favorável às mudanças na composição das bulas.
Na consulta pública, a Anvisa propõe que a bula do paciente continue sendo distribuída dentro da caixa do remédio, enquanto a outra seja eletrônica, disponível no site da Agência. Os pacientes também poderão acessá-la. Letras e espaçamentos entre parágrafos no texto da bula também devem ficar maiores, para facilitar a leitura.
"Termos técnicos são importantes para o público dirigido: médicos e farmacêuticos. Médicos determinam com mais cuidado como deve ser a administração do medicamento, em comprimido ou gota, para potencializar o efeito e o farmacêutico ganha o importante papel de explicar ao paciente sobre o uso correto do remédio, evitando assim as contra-indicações", comenta Silva.
Para ele, tão fundamentais quanto a bula são as informações publicadas nas embalagens dos medicamentos. "Não é obrigatório por lei, mas é interessante para o paciente, que não precisa abrir a embalagem para saber como usar e armazenar o remédio. Mas é importante destacar que as informações que vêm na embalagem não substituem a leitura da bula", adverte o coordenador.(M.G.)

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