Curitiba - A U.S. Trade and Development Agency (TDA) agência americana para o comércio e o desenvolvimento vai financiar dois projetos paranaenses que irão permitir avanços no gerenciamento de recursos hídricos e distribuição de água não potável para atividades industriais. Um dos projetos, da Companhia Paranaense de Saneamento (Sanepar), destina US$ 115 mil a fundo perdido para um estudo que irá apontar a viabilidade do fornecimento de água não potável para indústrias da Grande Curitiba. A água seria resultado do tratamento dos efluentes do esgoto. Num primeiro momento, o principal alvo serão as 800 empresas da Cidade Industrial de Curitiba (CIC).
Entre as destinações que a água não potável pode ter estão as indústrias geradoras de energia, refrigeração de indústrias, lavagem de pátios, praças, ônibus e caminhões, peças e vias públicas. ''Nos Estados Unidos, este tipo de água é muito utilizado em campos de golfe'', exemplifica Carlos Teixeira de Freitas, presidente da Sanepar.
Uma experiência piloto já foi feita em Araucária (Região Metropolitana de Curitiba) com capacidade de produção de 300 litros por segundo deste tipo de água. ''Esse é apenas um estudo. Certamente teremos muitas empresas e indústrias interessadas no futuro'', destacou Lauro Klas Júnior. Inicialmente os estudos serão feitos em Curitiba e demorarão entre quatro e seis meses para ficarem prontos.
Outros US$ 350 mil serão usados num projeto de assistência técnica com a Superintendência de Desenvolvimento de Recursos Hídricos e Saneamento Ambiental (Suderhsa). O estudo irá fazer uma radiografia do Rio Tibagi, um dos mais importantes do Estado. ''Queremos saber todas as indústrias que estão ao longo do rio, os tipos de despejo e o tratamento do que é despejado. Com isso, saberemos como os recursos que serão arrecadados na bacia poderão ser aplicados, quais serão as prioridades'', complementou Ivo Heisler Júnior, diretor de recursos hídricos da Suderhsa. Os resultados do estudo que irá demorar seis meses serão repassados para o Comitê de Bacia do Rio Tibagi, que será responsável por um sistema de permissões e cobranças pelo uso da água.
O Rio Tibagi começa em Irati (135 km ao norte de União da Vitória) e termina em Sertanópolis (40 km ao norte de Londrina). Ao longo de sua bacia são desenvolvidas diversas atividades que vão desde agricultura (em Irati) e agropecuária (Castro e Piraí do Sul) até indústrias (Londrina a Jacarezinho) e agroindústrias (Ponta Grossa).
A gerente da TDA para a América Latina e Caribe, Anne McKinney, disse ontem que a empresa vai investir nestes projetos por se tratarem de prioridade mundial. ''Os recursos hídricos são de importância mundial. Os projetos serão exemplo para o Brasil'', declarou ela. O objetivo da TDA é estimular a exportação de produtos americanos.

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