Africanos aprendem sobre Pastoral
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 30 de outubro de 2001
Gilmar Agassi<br> De Cascavel 
O trabalho desenvolvido pela Pastoral da Criança, que há poucos dias concorreu ao prêmio Nobel da Paz, está se disseminando por todo o mundo na tentativa de reduzir os altos índices de mortalidade infantil, principalmente nos países considerados subdesenvolvidos. Para adquirirem maiores conhecimentos sobre o funcionamento do programa, dois africanos estão há dois dias em Cascavel acompanhando o trabalho de voluntários.
Os dois africanos fazem parte de um grupo de 16 pessoas que veio ao Brasil para aprender técnicas de combate à desnutrição e redução da taxa de mortalidade infantil. Eles chegaram há 25 dias, e desde então passaram por um período de capacitação em Minas Gerais. Depois de aprenderem na teoria, o grupo foi dividido para conhecer a prática nas diversas dioceses espalhadas pelo Brasil.
A angolana Leopoldina Veríssimo explica que em seu país onde moram 12 milhões de habitantes, somente quatro paróquias desenvolvem um trabalho semelhante ao da Pastoral da Criança. A voluntária diz que a intenção de sua vinda e de outras sete pessoas de Angola é levar o trabalho da Pastoral para todas as localidades do país que sofre há muitos anos com a guerra civil.
Já Alexandre Intiga, de Guiné-Bissau, afirma que na região onde mora, a pobreza é latente, mas não muito maior do que a encontrada nas regiões mais pobres do Brasil. Ele conta que a situação melhorou depois da criação do Centro de Recuperação Nutricional, que conta com 26 unidades espalhadas pelo país localizado na África Ocidental. Além dele, outros quatro guinenses também vieram conhecer o trabalho da Pastoral da Criança.
Intiga revela que ficou sabendo do trabalho da entidade depois que a coordenadora nacional do programa, a sanitarista Zilda Arns, esteve na África, em 1999, divulgando a Pastoral. Para o voluntário, o maior problema em seu país é não saber valorizar os alimentos. ''Lá comemos apenas a raiz da mandioca e não valorizamos a folha, que é muito mais nutritiva'', conta.
Na opinião de Intiga o acompanhamento às crianças e suas famílias, juntamente com os remédios caseiros são fundamentais para o sucesso do programa da Pastoral da Criança.


