Maigue Gueths
De Curitiba
A Infraero e o Cindacta II estão se preparando para a operação dos novos sistemas de pouso e decolagem - ALS-3 e ILS-2, que devem entrar em funcionamento no final de outubro ou início de novembro, dependendo das condições climáticas no período. No Aeroporto Afonso Pena, em São José dos Pinhais, desde o dia 10 de junho, operários trabalham de madrugada, quando há pouco movimento nas pistas, para a instalação dos equipamentos. As empresas aéreas têm que dar treinamento a seus pilotos sobre os novos instrumentos e o Segundo Centro Integrado de Defesa Aérea e Controle de Tráfego Aéreo (Cindacta II) também está treinando os funcionários para operarem os aparelhos.
Os novos equipamentos estão sendo instalados para melhorar as condições de operação do aeroporto, frequentemente fechado por falta de visibilidade. ‘‘Se eles estivessem operando, o aeroporto não teria fechado hoje (segunda)’’, explicou o superintenente da Infraero, João Roberto de Paula. Em função da neblina, o aeroporto teve que ser fechado no início da manhã de ontem. ‘‘Experiências de outros aeroportos nos dão a expectativa de reduzir em 80% o índice de não operacionalidade do aeroporto’’, diz. Há três anos o Afonso Pena mantém índices semelhantes: em 97 fechou durante 81 dias, o correspondente a 341 horas, com o cancelamento de 243 vôos; em 98 fechou 85 dias ou 405 horas, e cancelou 246 vôos. Isto significa que no ano que vempode ser que o aeroporto fique fechado por menos de 20 dias ou 100 horas, cancelando no máximo 50 vôos.
Apesar do aumento no movimento do aeroporto, a média continua. De janeiro até junho o aeroporto ficou fechado por 188 horas e cancelou 183 vôos. O Afonso Pena apresenta uma média de 180 movimentos, entre pousos e decolagens, por dia. Segundo o superintendente, o equipamento que já está sendo instalado é o ALS-3 (Approach Light Sistem), um sistema de luzes de auxílio visual para o pouso. Também estão sendo colocadas as luzes de eixo de pista, que emitem uma espécie de flash ao longo da pista. Em seguida será instalado o ILS-2 (Instrument Land Sistem), um sistema que orienta o piloto em relação à pista através de um sistema de rádios. ‘‘Este equipamento fornece dados sobre o eixo da pista, distância, coordenadas de altitude. É o ILS que comanda o conjunto dos equipamentos que vai determinar o grau de operacionalidade de um aeroporto’’, diz.
Atualmente o Aeroporto Afonso Pena atua com o ILS-1, que guia o piloto até que ele tenha visibilidade horizontal de 1.200 metros da pista e de 60 metros de teto. Com o ILS-2 esta capacidade aumenta: o piloto será guiado pelo aparelho até a visibilidade horizontal de 400 metros da pista e 30 metros de teto. O ILS-3, segundo o superintenente, foi descartado, pois apesar de permitir melhor visibilidade no pouso, exigiria pistas maiores para aeronaves maiores e mais equipadas. O ILS-3, entretanto, está previsto para ser instalado na futura pista do aeroporto, que começa a ser construída no início do próximo ano. A obra da pista está em fase de projetos e estudos sobre impacto ambiental e custos. O comandante do Cindacta II, coronel Ailton dos Santos Pohlmann, diz que os gastos com sistemas de pouso e decolagem da nova pista devem ficar abaixo dos US$ 15 milhões previstos para as pistas atuais, pois parte do equipamento será usado nos dois casos. A previsão inicial de funcionamento em agosto deste ano não foi possível em função de atrasos na licitação.

mockup