Afogamentos preocupam guarda-vidas
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 02 de janeiro de 2002
Ed Carlos Rocha 
Curitiba A passagem de Ano Novo no Litoral do Paraná foi tranquila, mas o começo da temporada de verão 2001/2002 tem preocupado o Corpo de Bombeiros. O período começou com mais mortes por afogamento em relação ao ano passado. Apenas nos dez primeiros dias da atual temporada 22 a 31 de dezembro , sete pessoas morreram afogadas, contra quatro mortes registradas em todo o verão 2000/2001. O número de salvamentos também aumentou. Em comparação com os dez dias da temporada anterior, subiu de 292 para 464. Os dados fazem parte do balanço divulgado ontem pelo Corpo de Bombeiros.
Segundo o tenente Renê Ferreira Muchelin, relações públicas da Operação Verão Corpo de Bombeiros, basicamente dois fatores ocasionaram o aumento no número de mortes por afogamento e de salvamentos. Este ano há muito mais pessoas no Litoral do que no ano passado. Além disso, o mar está mais agitado do que no verão de 2000/2001, explica. A estimativa da Operação Verão das Polícia Militar é que cerca de 1,5 milhão de pessoas tenham passado o Ano Novo nas praias paranaenses.
Para o tenente, mesmo com o mar mais agitado, os afogamentos acontecem porque as pessoas insistem em abusar. Tanto é assim que, segundo ele, das sete mortes, cinco aconteceram antes ou depois do horário de trabalho dos guarda-vidas. Tem muita gente que entra no mar antes da 7h30 ou depois da 22 horas, quando os guarda-vidas não estão por perto. Aliado ao fato de que a maioria não tem habilidades para nadar no mar, fica mais fácil acontecerem as mortes.
Outra imprudência que também continua sendo rotina por parte dos veranistas é entrar na água alcoolizado. Segundo o tenente Renê, não foi confirmada embriaguez em nenhuma das sete vítimas de afogamento, mas é bastante comum os guarda-vidas terem que retirar da água pessoas embriagadas. Boa parte das pessoas que os guarda-vidas salvam se encontram alcoolizadas.
Com mais gente circulando, é bom os pais ficarem mais atentos aos filhos. O número de crianças desaparecidas, que se perdem por alguns minutos e depois são encontradas pelos pais, em comparação aos dez primeiros dias da temporada 2000/2001 subiu de 45 para 79.
Quem está no Litoral tem que se preocupar também com as águas-vivas. Como acontece em quase todas as temporadas, elas estão em abundância na água e na areia. Em contato com a pele humana, causam uma espécie de queimadura bastante dolorida. Em alguns casos, podem causar também ânsia de vômito na vítima.
O Hospital Nossa Senhora dos Navegantes, em Matinhos, que concentra os atendimentos no Litoral, tem recebido em média 15 casos por dia de pessoas queimadas por água-viva.


