Afogamentos preocupam bombeiros
Vânia Moreira
De Umuarama
O Corpo de Bombeiros de Umuarama está preocupado com o aumento dos casos de afogamento no Rio Paraná e nos principais afluentes Ivaí e Piquiri. Somente nos primeiros 10 dias de janeiro, 11 pessoas morreram afogadas nos três rios na região de Umuarama e Paranavaí. Nunca tivemos tantas mortes em tão pouco tempo, disse o comandante do Corpo de Bombeiros, capitão Geraldo Domaneski. Com o nível do Paranazão três metros abaixo do nível normal surgiram muitas praias naturais que estão atraindo um grande número de banhistas.
O Corpo de Bombeiros não tem condições de manter guarda-vidas nos locais de banho. A corporação tem oito soldados habilitados para atuar como guarda-vidas, dos quais dois estão de licença e dois estão prestando serviços no litoral. Não há pessoal suficiente para fazer a segurança nem mesmo nas prainhas mais frequentadas. De Paranavaí a Guaíra são mais de 250 quilômetros de rio. Quando os bombeiros são chamados, geralmente não há mais nada a fazer, a não ser localizar e resgatar o corpo.
Segundo Domaneski, a maioria dos afogamentos ocorre por imprudência dos banhistas ou pescadores. Para tentar diminuir os acidentes, os soldados têm percorrido as ilhas e prainhas do Rio Paraná para orientar os banhistas. Segundo Domaneski, o Rio Paraná é perigoso e traiçoeiro. Locais rasos formados por bancos de areia acabam abruptamente em fossos profundos. Além disso, a correnteza é muito forte. Mesmo estando em local que dá pé um banhista pode ser arrastado para o fundo.
O ideal, segundo Domaneski, seria todas as pessoas usarem colete salva-vidas para tomar banho ou andar de barco no Paranazão. Infelizmente, poucos tomam esta precaução, observa. Com 25 anos de experiência em buscas e salvamentos aquáticos, o sargento Antônio Teixeira Cavalcanti diz que nem mesmo o melhor dos nadadores deve entrar no rio Paraná sem colete salva-vidas. Ele próprio não dispensa nunca o acessório de segurança. Posso cair do barco, bater a cabeça e desmaiar.
Ano passado, a corporação montou um posto avançado em Ilha Grande, perto de Porto Figueira, no município de Icaraíma (67 km a noroeste de Umuarama) e designou o sargento Cavalcanti para ficar em tempo integral na ilha. Não tínhamos um local para ficar quando precisamos montar esquemas de segurança em eventos aquáticos ou fazer operações de busca, argumentou Domaneski.
A presença de um bombeiro o tempo todo na ilha também agiliza operações de busca e salvamento, ajuda a coibir abusos dos banhistas e serve como ponto de apoio para os moradores. Cavalcanti acaba sendo chamado para atender até casos de suicídio por enforcamento.





