Aficim quer compra de superaparelho
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domingo, 21 de setembro de 1997
Paulo Ubiratan Londrina 
ReproduçãoO equipamento custa US$ 105 mil, menos de 20% do que o governo do Estado vai gastar em novembro com 500 testes de DNAO presidente da Associação dos Funcionários do Instituto de Criminalística do Paraná (Aficim), Jaime Cassaroti Júnior, está propondo ao governo estadual a compra de dois aparelhos para realizar exames de DNA. Ele afirma que, adquirindo os aparelhos, o Estado vai economizar recursos e agilizar o trabalho da Polícia e da Justiça.
Segundo informações da Secretaria Estadual de Justiça e Cidadania, em novembro serão realizados 500 testes de DNA no Paraná, para confirmação de paternidade. O laboratório Genétika, de Curitiba, irá fazer os testes a um custo total de, aproximadamente, R$ 600 mil. Cada teste sairá por R$ 1,2 mil. O laboratório venceu a concorrência aberta pelo Estado, disputando sozinho a licitação. O Genétika é um dos cinco laboratórios capacitados para fazer exames de DNA no Brasil.
Cassaroti Júnior afirmou que, com R$ 600 mil, seria possível comprar os dois aparelhos e ainda sobraria dinheiro. O aparelho é de última geração no setor, conhecido por ABI Pris-310 Genetic Analyzer, e está sendo usado pela maioria das polícias técnicas dos Estados Unidos e de outros 14 países. Cada aparelho custa US$ 105 mil, e a idéia é instalar um em Londrina e outro em Curitiba. A Aficim remeteu um ofício ao secretário de Justiça e Cidadania, Edson Vidal, propondo a compra dos aparelhos.
Repare que o valor dos dois aparelhos está bem abaixo do que o governo vai gastar com os primeiros testes. Estamos propondo a compra porque achamos racional e mais econômico. Temos em nosso quadro de funcionários pessoal apto a fazer os testes. Isso não vai onerar em nada os cofres públicos com novas contratações, disse Cassaroti Júnior. Ele também enfatizou que os aparelhos vão ajudar nas investigações criminais, inclusive para fazer testes de DNA em gotas de sangue, fios de cabelo e saliva. O aparelho é composto de software (programa), computador e o processador de análises. No exame de paternidade são separadas as dez características da mãe, da criança e do suposto pai. A criança tem a metade das características da mãe e a outra metade do pai. Os testes comparam o material genético da mãe e da criança e finalizam com a comparação das características paternas.
Em recente entrevista à Folha, a diretora da Corregedoria Geral da Justiça, Zahara Maria Gonçalves, informou que o órgão estava regulamentando o convênio com o laboratório Genétika, e que os exames seriam destinados a pessoas comprovadamente pobres. Atualmente, nas 148 comarcas do Paraná existem 2.657 encaminhamentos judiciais para comprovação de paternidade. Nas Varas de Família de Londrina estão parados 400 processos para averiguação de paternidade.
O secretário de Justiça, Edson Vidal, através de sua assessoria de imprensa, disse que ainda não havia recebido a proposta da Aficim. No entanto, ressaltou que estranhava a comissão de licitação para exames de DNA, dirigida pelo médico legista Francisco Moraes Silva, não ter recomendado o aparelho. Francisco Moraes é diretor geral do Instituto Médico Legal (IML) do Paraná e não foi encontrado para falar sobre o assunto.


