Afastado agente que teria agredido presos
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sexta-feira, 19 de setembro de 2003
Gilmar Agassi<br> Reportagem Local 
Um agente de disciplina da Casa de Custódia de Londrina (CCL) foi afastado temporariamente de suas funções sob acusação de ter cometido agressões contra detentos, na tarde da última quarta-feira. A direção do presídio determinou a abertura de uma sindicância para apurar a responsabilidade do agente afastado e de outros que foram acusados de participação pelos detentos. A sindicância, que será coordenada por uma advogada da própria CCL, tem 15 dias para ser concluída. Se ficar comprovada as agressões, os agentes poderão receber penalidades, que podem culminar em demissão.
A denúncia de agressão levou membros do Centro de Direitos Humanos (CDH), da Pastoral Carcerária e da comissão de Direitos Humanos da Câmara de Vereadores até a Casa de Custódia, na manhã de ontem. A comitiva manteve contato com três detentos, que confirmaram as agressões.
Em seu relato, o detento André Consentino, 28 anos, contou que, por volta das 14h30 da quarta-feira, foi tirado da cela pelo agente afastado para participar de um culto religioso. O agente teria exigido a retirada de uma toalha de outro detento que estava na janela. Segundo seu relato, isso teria dado início a uma discussão. Segundo Consentino, por volta das 17 horas, o agente retornou juntamente com outros três funcionários e, ao abrir o cúbiculo, teriam começado a praticar agressões com o cassetetes. Durante a visita, Consentino mostrou os hematomas nas costas e na barriga.
O detento foi levado ao Instituto Médico-Legal (IML), para exame de corpo delito. Ele também registrou queixa no 4º Distrito Policial. Além dele, Vanderlei Barbosa da Silva e Sérgio Henrique Marques alegaram ter sido agredidos pelos agentes de disciplina.
O diretor da CCL, major Edison Tomaz, classificou como um ''desvio de conduta'' a atitude tomada pelo agente afastado. Ele esclareceu que cada agente é responsável por seus atos, e que nenhum pode tomar medidas que resultem em prejuízos aos detentos. O diretor comentou que, logo que foi informado, determinou o afastamento e comunicou o Departamento Penitenciário do Estado (Depen) e a Vara de Execuções Penais (VEP).
O coordenador do Depen, coronel Justino Sampaio, afirmou que não se pode permitir atitudes de agressão desse tipo. Ele acrescentou que para casos de indisciplina existe uma legislação específica para puní-los, sem a necessidade do uso da violência.
O coordenador da regional Sul do Movimento Nacional de Direitos Humanos e coordenador estadual do Projeto S.O.S. Tortura, Jorge Custódio, adiantou que cópias da denúncia serão encaminhadas ao Ministério da Justiça e à Comissão de Direitos Humanos da Câmara Federal. Ele lembrou que ano passado foram confirmados cerca de 80 casos de tortura nos presídios do Paraná.


