A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) divulgou esta semana uma portaria no Diário Oficial da União (DOU) com a ratificação de interdição de 11 aeroportos brasileiros, entre eles dois paranaenses: Attílio Accorsi, de Loanda (Noroeste) e Manoel Ribas, de Goioerê (Centro-Oeste). Os terminais que não recebiam voos há mais de seis meses tiveram os nomes excluídos das publicações aeronáuticas.
As prefeituras dos dois municípios disseram ter planos de cumprir as exigências da Anac e dar condições para retomar as operações nos aeroportos, mas disseram aguardam repasses do governo estadual. Segundo a Anac, após a exclusão das publicações aeronáuticas, os aeródromos continuarão a constar no cadastro aeroportuário da Anac, mas será necessária a solicitação de desinterdição por parte do operador legalmente instituído para que seja reaberto ao tráfego.
A Secretaria de Estado de Infraestrutura e Logística informou que já incluiu no orçamento do próximo ano a quantia de R$ 1,5 milhão para a recuperação dos dois aeroportos. Segundo a assessoria de imprensa da Secretaria, os investimentos, inicialmente previstos para este ano, sofreram atrasos por conta do ajuste fiscal. O órgão ressaltou a importância das estruturas aeroviárias para o desenvolvimento regional e casos de urgência para a população.
O aeroporto Attílio Accorsi, à margem da PR-218, a dois quilômetros do centro de Loanda, encontra-se em estado de abandono. O prédio está totalmente depredado e a mobília que sobrou foi amontoada. A pista de 1.100 metros serviu até para pousos de aviões de uma facção criminosa que pretendia usar o aeroporto como base para resgatar presos de Presidente Venceslau, no interior paulista. O plano que foi descoberto pela Polícia Federal previa levar os criminosos para o Paraguai.
De acordo com o secretário de Planejamento de Loanda, Christian Costa Begosso, o município reivindica recursos com o governo estadual há pelos menos três anos para fazer a revitalização do aeroporto. Diante do impasse, o município estuda uma parceria público-privada para retomar as atividades. "O Aeroporto de Loanda tem uma importância estratégica, porque atende 12 cidades de nossa microrregião. Questões como a economia regional, turismo ficam afetadas com esta interdição", lamenta.
A Anac listou 12 itens que devem ser corrigidos para que o aeroporto volte a funcionar. Segundo Christian, os principais são a conclusão dos planos de incêndio e ruídos, o cercamento de toda a pista, recolocação de indicadores visuais, melhorias de sinalização e do recape asfáltico. Ele estima que as obras demandariam pelo menos R$ 2,5 milhões. "É um investimento que a prefeitura não tem condição de arcar sozinha, mas vamos encontrar uma maneira de reativar nosso aeroporto", planeja.
Em Goioerê, a maior dificuldade da prefeitura em cumprir as exigências da Anac é a desapropriação de casas próximas à pista. O diretor municipal de Serviços Gerais, José Aparecido Ferreira, disse que o município aguarda com ansiedade a liberação de recursos para a obra. "O aeroporto é fundamental para remoção de pacientes, e questões ligadas a nossa economia", ressalta. Ele disse que a administração municipal já iniciou algumas obras, mas aguarda a verba para concluir a pavimentação e fazer a pintura da pista.

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