A medida é tão silenciosa que muitas pessoas não tinham nem notado o fim do serviço sonoro de voz que anunciava a hora de embarque e desembarque nos aeroportos da brasileiros. Desde da última quinta-feira, o procedimento foi suspenso por determinação da Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária (Infraero). Agora, o sistema de som não avisa mais aos passageiros o horário de partida e chegada dos voos. A mudança dividiu opiniões.
A alegação da Infraero para o cancelamento é que o aumento do número de passageiros nos aeroportos e, consequentemente, do de voos, estava exigindo muitos anúncios que, por outro lado, criavam poluição sonora nos saguões. Os avisos sonoros seguidos também estavam gerando outro problema. De acordo com assessoria de comunicação social do Aeroporto Internacional Afonso Pena, em São José dos Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba (RMC), a movimentação crescente fazia com que fossem anunciados muitos voos que já haviam partido. O resultado? Confusão, perda de voos, reclamações.
Apesar de ter ganhado notoriedade na semana passada, o fim do sistema de som que anunciava pousos e decolagens não chega ser uma novidade. Muitos aeroportos já haviam adotado a medida. O próprio Afonso Pena não realiza mais os anúncios desde outubro do ano passado. A justificativa da Infraero no local é a mesma: poluição sonora e "atropelamento" das mensagens. Em 2008, o aeroporto recebeu uma média mensal de 5,7 mil voos, com cerca de 356,8 mil passageiros circulando no local.
Com a mudança, a Infraero recomenda que os passageiros não descuidem dos painéis eletrônicos - agora a principal forma de se informar do horário dos voos. Uma das polêmicas sobre o cancelamento diz respeito ao fim da informação a deficientes visuais. Nesse caso, a Infraero lembra que os passageiros devem informar a deficiência à companhia áerea, que tem de designar um funcionário para acompanhá-lo até o embarque.

‘Algo a mais’

Entre os passageiros que passaram ontem pelo Afonso Pena, a nova medida tem dividido opiniões. O zootecnista Ary Silva Toledo, de Vitória, no Espírito Santo, diz que é contra o cancelamento do serviço, que considerava um "algo a mais". "Não vejo um sentido ou benefício para o cancelamento. Também não considerava o aviso como um incômodo. Na verdade, virou um deserviço", acredita. "Sem o sistema, perde-se a liberdade de circular pelo aeroporto", completa.
Já o engenheiro de sistemas Marcelo Spiandorello, de Caxias do Sul, no Rio Grande do Sul, acredita que o fim dos anúncios pode fazer falta para pessoas mais idosas ou para aqueles que não têm o hábito de voar sempre. Fora isso, diz ele, não vai fazer falta. "Quando havia os anúncios, eu nunca estava prestando atenção. Acho que o painel é melhor", diz Spiandorello. No entanto, a dita "poluição sonora" não chegava a incomodar o engenheiro. "Para mim não agregava nada, mas a voz não chegava a incomodar", conta.
O auxiliar de produção Caetano Izael, de São Paulo, lembra que a melhor forma de não ter problemas com a mudança é sempre chegar com pelo menos meia hora antes do horário de embarque. Na opinião dele, porém, o fim do serviço pode prejudicar os passageiros. "Sei que às vezes as pessoas chegam em cima da hora e precisam de um tempo extra; a lembrança sonora, então, seria importante", comenta.
O serviço, no entanto, não foi de todo excluído. O sistema de som ainda é utilizado em casos de voos atrasados, chamada de pessoas ou outras situações atípicas. Dentro das salas de embarque, o serviço continua - mas oferecido pela companhias aéreas.

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