Aeroporto regional gera novo impasse
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terça-feira, 20 de maio de 1997
Paulo Pegoraro Sucursal de Cascavel 
Um requerimento assinado por onze deputados, aprovado na Assembléia Legislativa do Paraná, pede ao governador Jaime Lerner (PDT) a construção de um Aeroporto Regional do Oeste na região de Sede Alvorada, distrito de Cascavel que faz limite com o município de Toledo. A pretensão, liderada pelo deputado Duílio Genari (PPB), de Toledo, provoca contrariedade em Cascavel, porque a prefeitura tem projeto conjunto com o governo do Estado para um novo aeroporto, com parte dos recursos totais (R$ 20 milhões) previstos no Orçamento do Estado.
O requerimento, apresentado anteontem, estabelece novo impasse exatamente quando Cascavel enfrenta a polêmica em torno da localização planejada pelo município para o aeroporto. Um decreto municipal de 1991 declarou de interesse para fins de desapropriação 90 dos 2,73 mil alqueires da Fazenda Piquiri (15 quilômetros a oeste da cidade, à margem da BR-369).
Em 96, a Copel comprou toda a fazenda para reassentar famílias de agricultores que terão terras alagadas pela barragem da Usina de Salto Caxias, no Rio Iguaçu. O decreto foi baixado no primeiro mandato do prefeito Salazar Barreiros (PPB). Porém, nem a Copel nem as 235 famílias que devem ser reassentadas na fazenda tiveram conhecimento dele. Os agricultores não aceitam a localização do aeroporto.
Para eles, aviões representariam risco à segurança e prejudicariam a produção de leite e a avicultura, porque vacas e frangos são afetados por ruídos altos. Depois de muita discussão, foi constituída uma comissão para estudar alternativas, tanto para o aeroporto quanto para o reassentamento. O prefeito mantém a disposição de construir o aeroporto no local, alegando que esta é uma antiga aspiração e que os caros projetos técnicos foram oferecidos sem custo ao município pelo Ministério da Aeronáutica. Recomeçar tudo significa postergar indefinidamente o projeto, observa.
Por outro lado, a hipótese de um aeroporto regional, compartilhado por Cascavel e Toledo, já havia sido descartada há dois anos, depois de estudos feitos em Sede Alvorada, que indicaram inviabilidade técnica de áreas disponíveis.
O deputado Duílio Genari defende a proposta e lembra que desde 1991 a sustentava por entender que o aeroporto regional atenderia duas cidades-pólos e vários municípios vizinhos. Quando a idéia foi apresentada pela primeira vez, houve reação de setores políticos e empresariais de Cascavel, que consideravam o projeto uma iniciativa local.


