A discussão sobre a instalação do ILS (sigla em inglês para Sistema de Aproximação de Precisão) no Aeroporto de Londrina tomou conta da sociedade civil londrinense há pelo menos cinco anos. O assunto transformou-se em uma novela, envolvendo a Empresa Brasileira de Infra-Estrutura Aeroportuária (Infraero) e a administração municipal, ainda sem desfecho. O motivo seria a necessidade de desapropriações de áreas na Zona Sul para viabilizar a ampliação da pista, medida necessária para instalar o equipamento que auxilia as aeronaves a pousar em condições climáticas adversas.
  Enquanto não é definida a data para implantação do equipamento, o superintendente da Infraero, Carlos Haroldo Novak (que está no cargo há um ano), avalia que houve uma supervalorização do tema na mídia local. ‘‘Pelas informações que a gente pôde colher junto a empresários, pessoas formadoras de opinião, mídia, autoridades locais, estaduais e municipais, a gente percebeu que havia informações desencontradas em relação ao tema ILS. Acabou virando uma polêmica na cidade. O ILS é importante, sim, mas tem outras ações também muito importantes sendo desenvolvidas pela Infraero, que hoje é uma empresa que tem a excelência técnica e operacional e soube priorizar muito bem os investimentos em seus aeroportos’’, discursa.
  No entanto, relatório fornecido pela própria Infraero mostra que o número de cancelamentos de vôos cairia muito com o ILS. Para se ter uma idéia, de janeiro de 2001 a junho de 2005 o aeroporto ficou fechado por 343 horas e 13 minutos, o equivalente a praticamente 14 dias sem pousos ou decolagens. Os cálculos da empresa indicam que o ILS reduziria este índice para 218 horas e 17 minutos – pouco mais de nove dias.
  O ILS é um equipamento que proporciona à aeronave orientação segura quanto ao alinhamento da pista e ao ângulo de descida, quando em aproximação final para o pouso. Para Londrina, está prevista a instalação do ILS categoria 1. É o modelo mais simples, que proporciona a aterrisagem com 200 pés de teto e 800 metros de visibilidade. O modelo mais complexo é o categoria 3, que permite pousos com teto zero, e só existe no Japão.
  A coordenadora de navegação aérea, Cláudia Pedrazani Venâncio, explicou que outros equipamentos, como o GPS, auxiliam os pousos em dias de neblina ou chuva. ‘‘É importante destacar que é necessária a contrapartida das empresas aéreas, que precisam instalar um equipamento nas aeronaves para viabilizar o uso do ILS’’, ressalta. Ele acrescentou, porém, que a decisão de cancelar os vôos é exclusiva do comandante ou do representante da companhia aérea.
  Novak avalia que os índices de fechamento do Aeroporto de Londrina são baixos em comparação com outras cidades. Segundo ele, mesmo
aeroportos em locais cujas condições climáticas são ainda mais desfavoráveis têm fechamentos mais freqüentes, apesar do ILS.
  Mesmo desmistificando a importância do equipamento, ele garante que o projeto para instalação está em pé, assim como as ampliações da pista e da táxi-way, que é a área de taxeamento das areonaves. O prolongamento da pista vai proporcionar ao aeroporto uma possibilidade técnica de pousos de aeronaves de maior porte, como os Boeings 767 e 747.
  ‘‘A Infraero sabe qual é a importância dele e no momento em que decidiu fazer os estudos para instalar o ILS ela consegue medir exatamente qual é a importância e qual é o benefício que trará para o aeroporto. Ou seja, é um investimento mais que justificável, mas não precisa de todo esse exagero.’’
  O custo de ampliação da pista e compra, através de licitação internacional, e instalação do ILS gira em torno de R$ 15 milhões. O equipamento custa de R$ 3 milhões a R$ 4 milhões. As despesas serão bancadas pela Infraero.
  Para a administração municipal, o ILS passou a ser assunto exclusivo da Infraero, que deverá bancar e negociar as desaproriações que faltam para viabilizar a instalação do equipamento. Novak disse, no entanto, que o cumprimento das etapas necessárias para a implantação do equipamento ainda estão em fase de negociação.

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