O aparelho de auxílio à navegação aérea (VOR), do Aeroporto de Londrina está sendo utilizado novamente depois de permanecer mais de 100 dias em desuso. Um avião laboratório do Grupo Especial de Inspeção de Vôo (Geiv) do Ministério da Aeronáutica esteve na cidade, no sábado, testando o equipamento. A equipe do Geiv passou das 10h20 até às 15 horas fazendo decolagens e aterrissagens para aferir se o VOR já estava em condições de uso e liberou o equipamento.
Paulo WolfgangNão resolveEricson, o controlador de vôos‘‘Isto não significa que o aeroporto vai estar sempre aberto. Independente do equipamento, dependemos do tempo para poder autorizar decolagens e aterrissagens com segurança. Se o tempo fechar, o aeroporto não abre’’, frisou o superintendente da Infraero de Londrina, Lourival Inácio Briana. A empresa é responsável pela administração do aeroporto. A Folha e a Associação Comercial e Industrial de Londrina (Acil) estão em campanha pela melhoria das condições do aeroporto.
O VOR é um instrumento que orienta o piloto na decolagem e aterrissagem permitindo que os vôos aconteçam mesmo quando as condições de tempo são desfavoráveis. Dependendo das condições da pista o VOR permite que os aviões decolem e pousem com um teto de até 160 metros de visibilidade (partindo do solo).
O VOR do Aeroporto de Londrina foi adquirido em 1986 e, de acordo com Briana, passa por revisões trimestrais. ‘‘Foi justamente na última revisão que percebemos que o equipamento estava com problemas’’, conta. Com o VOR danificado, o Ministério da Aeronáutica permitiu que o aeroporto trabalhasse com o NDB, equipamento de navegação mais antiquado.
Paulo WolfgangNão respondeBriana, o superintendente da InfraeroA equipe de técnicos e engenheiros da Infraero esteve em Londrina três vezes vistoriando o equipamento. Com a demora na reativação do VOR, Briana chegou a acenar com a necessidade da compra de um ILS 1 - Sistema de Pouso por Instrumentos. Mas, ‘‘ainda não há novidades’’. Segundo Briana, a diretoria da Infraero e Ministério da Aeronáutica vai se reunir no Rio de Janeiro, no próximo dia 7 para discutir o assunto.
A resposta à reivindicação feita por empresários da cidade deverá ser apresentada pelo superintendente regional da Infraero, Paulo Franceschi, no próximo dia 15. O ILS é um equipamento de última geração que aumenta as possibilidades de manobras quando há pouca ou nenhuma visibilidade e tem uma precisão quatro vezes maior que o VOR. Apenas 16 dos 67 aeroportos administrados pela Infraero têm este tipo de equipamento.
‘‘Os usuários não podem se iludir. Mesmo que o Aeroporto de Londrina receba um ILS, ainda vai continuar dependendo do tempo’’, reforçou. Ele lembra que o único equipamento que permite que 100% das decolagens e aterrissagens de aviões seja feita com instrumentos é o ILS-3 , disponível em apenas um aeroporto do mundo - em Santiago (Chile). O Aeroporto Afonso Pena (São José dos Pinhais) também terá o ILS-3. ‘‘Apesar do Aeroporto de Londrina estar crescendo, nem a demanda, nem o porte dos aviões comportam um instrumento destes’’, afirma. O aeroporto local tem um movimento mensal de, em média, 40 mil passageiros por mês.

DESCRIÇÃO
VOR - Instrumento de radionavegação, que auxilia pousos e decolagens de aeronaves em condições de tempo desfavoráveis.
NDB - Aparelho indicador de direção da aeronave, normalmente operado apenas para pousos.
ILS-1 - Sistema formado por antenas que direcionam o avião para pouso com visibilidade mínima de 1.200 metros e teto de 60 metros.
ILS-2 - Possibilita o pouso com visibilidade mínima de 400 metros e teto de 30 metros.
ILS-3 - Permite operações com visibilidade zero e teto zero.

PASSO A PASSO
-Junho - VOR foi retirado do ar (não está quebrado e nem desativado) por apresentar oscilações maiores do que as admissíveis na emissão de sinais que auxiliam os pilotos nos pousos e decolagens das aeronaves.
-Julho - Com alguns dias de chuva e tempo fechado, o aeroporto cancela vários vôos e prejudica estudantes que vieram prestar vestibular.
-13/8 - Geiv inspecionar o VOR.
-28/8 - FAB divulga que reprovou o VOR definitivamente; ou seja, o aparelho não pode passar por reforma.
-4 a 7 de setembro - No final de semana do feriado, a situação ficou caótica, com muita chuva. Vinte e seis vôos foram cancelados em quatro dias.
-8/9 - O superintendente da Infraero em Londrina, Lourival Briana, anuncia que pediu à superintendência regional da Infraero (Porto Alegre) a imediata compra de um novo VOR, que custa cerca de R$ 1 milhão.
-8/9 - A Câmara manda correspondência pedindo à FAB e Infraero a compra de um equipamento ILS, mais moderno e potente que o VOR e NDB.
-9/9 - Pressionado por empresários, autoridades e imprensa, o governador Lerner diz que também ajudaria na compra dos equipamentos novos para o aeroporto.
-9/9 - Primeira reunião na Acil com representantes de 13 entidades locais que encaminham documento à Infraero. Pedem solução para o problema da falta de equipamentos.
-10/9 - Avião da FAB avalia o NDB para ver pode substituir o VOR avariado.
-15/9 - FAB homologa o uso do NDB.
-19 a 23 - Chuvas aumentam e o problema se agrava no aeroporto.
-24/9 - Vereadores retiram da pauta de votação projeto do Executivo que propõe doação de áreas para ampliação do aeroporto, enquanto Infraero não resolver o problema dos cancelamentos de vôos.
-25 a 27/9 - Final de semana chuvoso. Cerca de 20 vôos são cancelados.
-28/9 - Chega a Londrina e equipe da FAB que avalia a possibilidade de reativar VOR. Briana diz que Infraero pode ser responsabilizada em caso de acidente, pelo VOR não estar no ar.
-29/9 - Entidades se reúnem pela segunda vez na Acil. Aprovam um documento para ser entregue ao presidente Fernando Henrique Cardoso, em Curitiba. Pedem intervenção e providências para resolver o problema do aeroporto. Folha e Acil decidem iniciar campanha por melhorias no Aeroporto.
-30/9 - As 13 entidades, através de comissão de advogados da OAB, diz que pode acionar na Justiça e prefeitura e Infraero porque não colocaram em prática um convênio assinado em agosto de 96.
-30/9 - Ex-presidente da Federação Parananense dos Aeroclubes do Paraná diz que o NDB é ultrapassado e coloca em risco os vôos e passageiros que chegam e saem de Londrina. Briana e engenheiros da Infraero rebatem as críticas e defendem o NDB, dizendo que é totalmente seguro no auxílio aos pilotos nas operações de pousos e decolagens.
-1 de outubro - Mário Stamm Júnior, do Ippul, e o prefeito Antonio Belinati vão à sessão da Câmara. Pedem urgência na aprovação do projeto de doação das áreas para a ampliação do aeroporto. Dizem que isto é imprescindível para a modernização do local; e que vão ajudar na compra de novos equipamentos.
-2 de outubro - A vice-governadora Emília Belinati entrega a FHC o documento de entidades e, segundo afirmou, o presidente se comprometeu a ajudar na solução do problema do aeroporto.
-3/10 - O empresário Abílio Medeiros, ex-presidente da Companhia de Desenvolvimento e da Associação Comercial e Industrial, propõe como alternativas para a modernização do aeroporto e a sua municipalização ou privatização.
-4/10 - O Geiv volta a testar o VOR.

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