Até o final da semana o Centro Integrado de Defesa Aérea e Controle de Tráfego Aéreo (Cindacta 2) deverá autorizar a utilização do NDB (rádio-farol não direcionado), no Aeroporto de Londrina, tanto para pousos quanto para decolagens. Com a homologação do aparelho, os problemas de cancelamento de vôos por causa de condições climáticas adversas deverão voltar aos mesmos níveis de dois meses atrás, quando outro aparelho - o VOR - ainda estava em funcionamento.
O superintendente da Infraero em Londrina, Lourival Inácio Briana, explicou que o NDB tem praticamente a mesma eficiência do VOR - reduzindo para 800 pés (248 metros) o teto e para 1.600 metros a visibilidade para pousos. A diferença entre os dois equipamentos é que o VOR tem maior precisão e emite sinais de alta frequência, orientando aeronaves num raio de 360 graus em 24 radiais; e o NDB trabalha com cartas de navegação. Ou seja, embora um aparelho seja mais moderno que o outro, o resultado é quase o mesmo.
Briana informou também que o VOR - que apresentou distorções em quatro das 24 radiais e por isso foi inabilitado - somente será reavaliado depois que a doação das áreas para ampliação do aeroporto local, por parte da prefeitura, for efetivada. Ele explicou que as áreas são importantes para que o aparelho seja testado em locais diferentes dos que estão disponíveis hoje - e que podem estar apresentando interferência. ‘‘Segundo a prefeitura, o assunto já está em cartório e deverá ser resolvido logo’’, acredita.
Na próxima quinta-feira, Lourival Briana também irá para Porto Alegre se reunir com com a Superintendência Regional da Infraero. Ele pretende mais uma vez passar toda a situação do aeroporto local. ‘‘A viagem já estava programada há 15 dias. Mas vamos aproveitar para tratar desses assuntos’’, informa. Desde que o VOR foi desativado, há quase dois meses, mais de 90 vôos foram cancelados em função do mau tempo. Um avião da TAM chegou a ficar quase três dias no aeroporto sem poder decolar. Não fosse a falta dos aparelhos de auxílio a decolagens, o número de cancelamentos teria sido menor.
O transtorno dos cancelamentos fez a Associação Comercial e Industrial de Londrina (Acil) convocar uma reunião, na semana passada, com lideranças da comunidade para discutir o problema. Entre as resoluções tiradas do encontro, esteve a elaboração de um manifesto - publicado este final de semana nos jornais da cidade -; a convocação de uma reunião com representantes da superintendência regional da Infraero; e também a avaliação das possiblidades de uma possível ação civil pública responsabilizando a própria Infraero pelos problemas.
A demora para resolver os problemas com falta de equipamento também fez com que algumas entidades de Londrina sugerissem que o melhor caminho para o aeroporto local fosse a privatização. Não bastassem estes problemas, o vereador Célio Guergoletto (PMDB) estuda entrar com projeto na Câmara pedindo a devolução de uma área já doada à Infraero para obras de ampliação do aeroporto. O vereador acredita que a área - que serviu para melhoria do estacionamento - não foi destinada ao que havia sido proposto no termo de doação. Por enquanto, a Infraero não quer comentar estes assuntos.

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