Aeroporto de Londrina pode virar ''Congonhas''
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quarta-feira, 25 de julho de 2007
Fernando Rocha Faro<br> Reportagem Local 
O Aeroporto de Londrina pode, num futuro próximo, apresentar problemas semelhantes aos registrados em Congonhas, em São Paulo, onde na semana passada ocorreu o maior acidente aéreo da história do País. Um fator comum aos dois terminais é a localização, dentro do perímetro urbano. Portanto, medidas de longo prazo precisam ser tomadas para evitar transtornos. A avaliação é do coordenador do curso de Ciências Aeronáuticas da Universidade Norte do Paraná (Unopar) e diretor de segurança de vôo do aeroclube local, o coronel da reserva Humberto Sérgio Cavalcante Marcolino.
O ideal, segundo ele, é a construção de um novo aeroporto fora da cidade. E Marcolino acredita que a hipótese é viável porque as taxas aeroportuárias no Brasil estão entre as maiores do mundo. ''O dinheiro não é problema, o problema é a gestão'', afirma. O coronel ressaltou que as condições de segurança na pista de Londrina são ideais hoje para o porte das aeronaves que operam na cidade.
O crescimento da cidade está ''engolindo'' o aeroporto, como aconteceu na capital paulista. Uma prova disso é que os pilotos não operam mais na cabeceira da pista para pousos e decolagens pelo lado da cidade, uma vez que o aeroporto é parcialmente cercado por casas e prédios. E a tendência, na opinião de Marcolino, é que a área urbana tome conta do entorno do terminal.
Atualmente, no entanto, as condições de operação são consideradas ideais por Marcolino. O terminal é, de acordo com o site da Infraero, um dos 25 maiores aeroportos domésticos do País. A capacidade é para 800 mil passageiros por ano. O aeroporto conta com uma área construída de 6 mil metros quadrados e uma pista de 2.100 metros, maior do que a de Congonhas, que tem 1.940 metros de extensão.
A opinião de Marcolino é compartilhada pelo presidente do Aeroclube de Londrina, Joaquim José de Moraes Neto. Ele credita a boa situação à preocupação da Infraero com a segurança de vôo. ''A doutrina de segurança de vôo na cidade é muito intensa'', declara. Ele acrescentou que o aeroclube cumpre a função de formar mão-de-obra especializada, como pilotos e mecânicos de aviões.
O posicionamento e o tamanho da pista são apontados por Moraes como vantagens do Aeroporto de Londrina. Principalmente porque a maioria dos pousos e decolagens não é feita na direção da cidade. Com relação à crise aérea, o presidente do aeroclube comenta que uma possível causa é que a infra-estrutura não acompanhou o crescimento do País e da aviação.
Para o coronel Marcolino, que tem 30 anos de experiência de vôo, o acidente no Aeroporto de Congonhas, registrado após dez meses de crise aérea, foi causado por uma sucessão de eventos, que levaram o terminal a ser considerado ''crítico.'' Ele cita como exemplo a falta de grooving na pista, a falta de área de escape e suposto problema mecânico da aeronave.
A reportagem entrou em contato com a Infraero, mas foi informada que todas as diretorias estão proibidas pelo Governo Federal de conceder entrevistas.


