O raciocínio é simples: quando acontece um acidente na casa do vizinho, a primeira preocupação que vem à cabeça é se esse acidente também não poderia acontecer na nossa casa. Não é à toa que todas as cidades de porte médio ou grande estão discutindo a segurança nos aeroportos depois da tragédia com Fokker-100 da TAM, em São Paulo. Ninguém quer imaginar, nem por brincadeira, uma aeronave de 25 toneladas caindo sobre casas e residências e deixando um rastro de morte e destruição por onde passar.
O superintendende regional da Empresa Brasileira de Infra-Estrutura Aeroportuária (Infraero) em Londrina, Lourival Inácio Briana, não gosta de falar em probabilidades. Mesmo assim, ele acredita que Londrina está em melhor situação do que a maioria dos aeroportos brasileiros. ‘‘Eu diria que o risco da aviação é muito pequeno. Mas aqui nós temos uma situação privilegiada. Nosso setor sul, por exemplo, é despovoado e oferece lugar para expansão. Em Congonhas não; o aeroporto está totalmente dentro da cidade.’’
O setor sul, ao qual se refere o superintendente da Infraero, é a direção pela qual seguem as aeronaves que decolam do Aeroporto de Londrina, saindo da cabeceira número 13. O sentido só é invertido quando os ventos mudam de direção. Portanto, se a tragédia de São Paulo tivesse ocorrido aqui, durante a decolagem, dificilmente o avião cairia sobre a Cidade; no máximo, sobre algumas lavouras que ficam na região.
Se na decolagem o avião está livre de construções, durante o pouso acontece o contrário: as aeronaves passam baixas, lentas e muito próximas de casas e prédios vizinhos do Aeroporto. Mas isso não significa, segundo Briana, que existam riscos para quem mora na rota dos aviões.
‘‘Existem cartas de navegação e aproximação, que são referenciais’’, explica o superintendente da Infraero. Essas cartas, afirma Briana, são feitas a partir de um plano diretor que define quais as construções que podem ou não serem feitas na rota dos aviões, obedecendo a uma rampa imaginária que começa em determinada altitude até chegar ao nível zero.
O superintendente da Infraero explica que a prefeitura, através das secretarias de Obras e Planejamento, dispõe dessas informações e não liberaria uma construção que não estivesse dentro desses requisitos. ‘‘Hoje, todos os prédios de Londrina que estão nessa rota obedecem ao gabarito. Ao contrário, o aeroporto não estaria em condições de operar e o Ministério da Aeronáutica também não iria permitir.’’
O plano diretor também determina que não sejam construídos hospitais, escolas, creches ou centro de convenções próximos ao Aeroporto - em função do barulho produzido pelas aeronaves. O ‘‘plano de ruído’’, como é conhecido, não faz restrições para residências.
Sobre a sugestão de que o Aeroporto de Londrina pudesse ser transferido para um local despovoado, Briana é enfático: a mudança seria temporária e não traria mais segurança para a população. ‘‘Os aeroportos são construídos longe dos centros urbanos, mas com o passar do tempo a população vai chegando mais perto. Isso é uma tendência mundial.’’
Briana lembra também que o próprio aeroporto de Congonhas, em São Paulo, foi construído distante do centro mas que em alguns anos já estava no meio da cidade, em função sobretudo da especulação imobiliária praticada pelo setor na capital paulista. ‘‘Depois construíram o aeroporto de Guarulhos, longe da cidade, mas muita gente reclamou que ficou longe demais.’’
O superintendente afirma que, em breve, o Aeroporto de Londrina, depois da reforma prevista para o ano que vem, vai se tornar um dos mais modernos do País. ‘‘Estamos em processo de elaboração de projetos. E o processo é demorado mesmo, porque precisa atender todas as necessidades do município.’’
Segundo ele, a previsão é de que já no primeiro semestre de 97 estejam iniciadas as obras de ampliação do terminal de passageiros e depois da pista da cabeceira. A pista será ampliada dos atuais 2,1 mil metros para 2,4 mil. Além disso, o aeroporto ganhará um estacionamento com tráfego controlado em frente ao terminal. Existe ainda a possibilidade da construção de um hotel quatro estrelas nas imediações, explorado pela iniciativa privada, para abrigar passageiros em trânsito.

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