A falta de um equipamento que auxilia nas decolagens de aeronaves (VOR) e o mau tempo prejudicaram centenas de passageiros que, desde sábado, não conseguiram embarcar pelo Aeroporto de Londrina. Em três dias, foram cancelados 26 vôos. Ontem de manhã, mais de 100 pessoas se aglomeravam no aeroporto, à espera de alguma solução. Na pista, somente um avião da TAM, que pousou anteontem e só conseguiu decolar às 14 horas.
Dorico da SilvaOs primeiros passageiros começaram a chegar ontem ao aeroporto por volta das 6 horas para tentar embarcar para São Paulo. O advogado Guilherme Garcia Cid, de Londrina, iria viajar para SP para participar de um congresso e às 11 horas ainda estava sem definição sobre a viagem. Ele conta que tentou viajar de ônibus, mas todas as empresas estão com vagas lotadas há três dias.
O advogado lamenta a falta de um equipamento que ajude na decolagem em dias fechados. ‘‘Com o porte que tem e as regiões que o aeroporto atende, Londrina mereceria um VOR ou um ILS (Instrument Landing System - sistema de pouso por instrumento)’’, afirma.
Dorico da SilvaEntre os passageiros que ficaram ‘‘presos’’ em Londrina estava o ministro da Agricultura, Francisco Sérgio Turra. Anteontem de manhã, ele veio a Londrina em um avião da Força Aérea Brasileira (FAB) e seguiu de carro para Cornélio Procópio, onde inaugurou o Parque de Exposição da Sociedade Rural.
No mesmo dia, às 11h30, o ministro iria viajar para São Sebastião do Paraíso (MG), mas o avião não conseguiu decolar. Turra acabou passando a noite em Londrina e ontem de manhã esteve novamente no aeroporto, na tentativa de decolar, o que ele conseguiu só às 12h45.
Apesar do atraso, Turra estava tranquilo e bem-humorado, lamentando apenas o cancelamento de alguns compromissos. ‘‘Hoje (ontem) de manhã tive que cancelar uma audiência com o vice-ministro da Agricultura de Portugal e agora estou tentando embarcar porque à tarde tenho um encontro com o presidente’’, relata.
O ministro diz ter ouvido comentários sobre a falta do VOR no Aeroporto de Londrina que prejudica a decolagem das aeronaves. ‘‘Não pedi para checar a informação, mas o fato é que causou um transtorno grande’’, observa.
Dorico da SilvaO gerente de lojas, o suíço Antonio Spitale veio à região a passeio e pretendia voltar a Zurique ontem. Ele iria embarcar às 10h15 para São Paulo, onde faria uma conexão, às 14 horas, para a capital suíça. ‘‘Precisaria estar na Suíça amanhã (hoje) porque tenho uma reunião com gerentes dos Estados Unidos e da Ásia’’, explica.
Acostumado a viajar para vários países, Spitale diz estar ‘‘triste’’ com o que passou na cidade. ‘‘A aviação no Brasil é de alto nível, o atendimento é bom e os equipamentos são de boa qualidade. Infelizmente, aconteceu isso em Londrina’’, observa. Ele afirma que nunca ficou preso em nenhum aeroporto por causa do mau tempo.
A nadadora Daílza Damas também aguardava a vez para voltar para Curitiba. Ela veio visitar parentes em Apucarana e embarcaria ontem, às 8h25 para Curitiba. ‘‘Tenho compromissos em Curitiba amanhã (hoje) e se não conseguir ir de avião, vou tentar viajar de ônibus’’, relata.
Um grupo de seis passageiros de Campina Grande (PB) cansou de esperar abrir o tempo em Londrina e, por volta das 11 horas, optou por alugar uma van para ir a São Paulo. Na capital paulista, à noite, o grupo pegaria um avião para João Pessoa e iria de carro para Campina Grande.
André Luis Nunes, um dos seis que vieram de Campina Grande, conta que o grupo veio participar de um encontro da Igreja Metodista. Segundo ele, por causa do mau tempo, o grupo já enfrentou problemas na sexta-feira à noite. ‘‘O avião voltou para São Paulo. Conseguimos desembarcar em Londrina só no sábado de manh㒒, relata.

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