Aeronáutica proíbe vôos comerciais
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sexta-feira, 05 de dezembro de 1997
Cristine Pieske 
Curitiba
Albari RosaAviões passam bem perto das casas vizinhas quando pousam e decolamAs empresas que operam vôos comerciais no Aeroporto do Bacacheri têm até o dia 22 para transferir suas atividades para o Aeroporto Afonso Pena, em São José dos Pinhais (Região Metropolitana de Curitiba). Depois de vários protestos dos moradores que vivem nas proximidades da pista de pouso, que reclamaram da falta de segurança e do barulho excessivo causado pelos aviões, o Ministério da Aeronáutica decidiu determinar o fim das atividades comerciais e dos vôos noturnos no aeroporto. A partir de janeiro, somente terão autorização para operar no Bacacheri as empresas de táxi-aéreo e os aviões particulares de pequeno porte.
Até que enfim alguém percebeu o risco que estávamos correndo, diz a artista plástica Janete Burda, uma das coordenadoras do Movimento dos Moradores dos Bairros Vizinhos ao Aeroporto do Bacacheri. Desde o final do ano passado, os moradores conseguiram juntar mais de 4 mil assinaturas pedindo o encerramento das atividades do aeroporto. É impossível viver normalmente com aviões passando sobre nossas cabeças todos os dias, diz.
Em setembro, os moradores do bairro encomendaram uma medição de ruído nas áreas próximas à cabeceira da pista do aeroporto, uma zona quase exclusivamente residencial. Durante o período dos sobrevôos, o número de decibéis medidos no interior das casas passa de 32 Db para 85 Db. Quando os aviões estão em menor altitude, o som produzido chega a 110 Db na sala de uma das casas.
O superintendente da Infraero, empresa responsável pela administração dos aeroportos, José Roberto de Paula, afirma que a decisão de acabar com os vôos comerciais foi tomada com base em avaliações técnicas. Segundo o superintendente, o aeroporto não possui infra-estrutura adequada para o embarque e desembarque de passageiros, além de estar próximo a árvores e prédios que podem dificultar o acesso dos aviões à pista.


