Aeronáutica inicia investigação de acidente
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quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015
Viviani Costa<br> Reportagem Local 
Campo Mourão - Técnicos do Serviço Regional de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Seripa), órgão da Aeronáutica, foram até Campo Mourão (Centro-oeste) para verificar as causas do acidente que matou duas pessoas na tarde da última quarta-feira.
O instrutor de voo Alex Cavalcanti Martins, de 28 anos, e o aluno Fernando Moreira Bertoldi, de 24, estavam na aeronave prefixo PP-HBK modelo CAP-4, mais conhecida como "paulistinha", de fabricação brasileira, que caiu em uma plantação de soja pouco depois da decolagem. O avião pertencia ao Aeroclube de Campo Mourão. Os dois jovens morreram na hora.
A capitã do Seripa, Camila Bolvan, destacou que todos os vestígios necessários foram coletados no local do acidente. "Fomos até a área isolada e seguimos com representantes do aeroclube no local de partida do voo para ter acesso aos documentos ligados à aeronave e aos dois ocupantes. Ainda não podemos fazer uma avaliação preliminar do que ocorreu", ressaltou. Segundo ela, não é possível saber quem estava no comando no momento do acidente. "Como a aeronave é de instrução, ela possui comando duplo, como nos carros de autoescola. A aeronave é de pequeno porte, não possui caixa preta e há apenas um rádio comunicador portátil", informou. Conforme Camila, não há prazos para que a apuração seja concluída.
A equipe do Seripa retornará ao Rio Grande do Sul nesta sexta-feira.
Após a finalização dos trabalhos, o relatório do Seripa será encaminhado ao Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa). A Polícia Civil auxiliou os trabalhos da equipe. De acordo com o investigador da Polícia Civil, Claudio Felisberto Miranda, o local do acidente foi preservado. A aeronave ficou destruída, mas não houve explosão. "O avião caiu com o bico no chão. O motor, a hélice e o tanque ficaram dentro do solo em um buraco com, aproximadamente, um metro de profundidade", afirmou. Segundo Miranda, apenas um condutor de colheitadeira que estava na propriedade rural testemunhou a tragédia. "Ele estava colhendo soja quando disse ter visto a aeronave caindo a uns 100 metros de distância", comentou o investigador. A propriedade rural fica próximo à BR-487.
Conforme a Polícia Civil, a aeronave caiu a cerca de sete quilômetros de distância do aeroclube. A operação para a retirada dos corpos durou, aproximadamente, uma hora. "Quando chegamos ao local, achamos que era uma única vítima. Só depois conseguimos perceber que havia dois corpos entre as ferragens", afirmou o investigador. A gasolina que estava na tanque da aeronave se espalhou sobre a plantação.
O presidente do Aeroclube de Campo Mourão, João Henrique Abudi, garantiu que a manutenção da aeronave, fabricada em 1946, estava em dia. "As revisões preventivas haviam sido feitas. Elas são realizadas a cada 50 horas de voo. O instrutor também tinha experiência, apesar de jovem. Ele acumulava mais de 300 horas de voos de instrução", ressaltou Abudi.
O aluno Fernando Moreira Bertoldi completaria a quarta hora de voo de instrução. A carga horária mínima para formação como piloto é de 40 horas. Os corpos do instrutor e do aluno foram enterrados na tarde de ontem no Cemitério Municipal São Judas Tadeu, em Campo Mourão.


