Peritos da Aeronáutica ainda não concluíram as investigações das causas do acidente com o avião monomotor, modelo Bonanza A36, prefixo PR-JCR, que caiu em uma propriedade rural de Londrina, na manhã do dia 19 de janeiro. A aeronave bateu em um morro na região do Limoeiro (Zona Rural de Londrina), a 1,9 mil pés de altitude em relação ao nível do mar, e duas pessoas foram mortas: o empresário João Carlos Ribeiro e o piloto Valter Luís Torres.
Na manhã seguinte ao acidente, os peritos estiveram no local do desastre para coletar dados, como coordenadas geográficas e informações meteorológicas, além da transcrição da conversa gravada entre o piloto do avião e a torre de comando do Aeroporto de Londrina, já que a aeronave não tinha caixa preta.
A documentação seguiu para o Centro Nacional de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa), em Brasília, que deveria entregar o relatório final cem dias após o acidente. Hoje, o desastre completa três meses.
A Polícia Civil abriu inquérito para apurar as causas e responsabilidades da queda, mas depende do histórico da Aeronáutica para dar continuidade aos trabalhos. O delegado-chefe da 10 Subdivisão Policial de Londrina, Sérgio Luiz Barroso, contou que recebeu uma correspondência da Empresa Brasileira de Infra-Estrutura Aeroportuária (Infraero) há cerca de 15 dias, a qual informava que o laudo da perícia ainda não havia sido concluído.
''A Aeronáutica não investiga as causas de acidentes para efeitos criminais e sim para evitar novos desastres'', explicou Barroso, que pediu dilação do prazo de entrega do inquérito ao Ministério Público.
Ainda segundo Barroso, os operadores de vôo que trabalhavam no dia do acidente foram ouvidos pela polícia e confirmaram que tiveram contato normal com a aeronave.
''Uma das causas apontadas pelos peritos na época seria um nevoeiro, que teria atrapalhado a visão do piloto. Mas essa hipótese não se confirmou, já que o morro com o qual o monomotor se chocou localiza-se abaixo no nível do aeroporto'', disse Barroso.
Segundo ele, existem apenas duas hipóteses para o desastre: falha mecânica ou falha humana. ''Difícil ser falha humana, já que o piloto era experiente e estava acostumado a pilotar em condições adversas.''
A Polícia Civil não apreendeu os destroços que, de acordo com o delegado, foram destinados à família das vítimas. ''O que era importante para as investigações foi coletado pela Infraero'', afirmou Barroso.
Ao chocar-se contra o morro, a aeronave teve seu motor arremessado alguns metros. Os bombeiros tiveram dificuldade para trabalhar por conta da grande quantidade de mata e lama. Eles tiveram de cortar as ferragens do monomotor para conseguir retirar os corpos. Ambas as vítimas eram de São José do Rio Preto, no interior de São Paulo.

mockup