Aeroclube vai formar comissários de vôo
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terça-feira, 30 de junho de 1998
Benê Bianchi 
Para quem é de Londrina e região, o curso de comissário de vôo já não é um sonho concretizado apenas por aqueles que se dispõem e podem morar longe de casa. O Aeroclube local já está aceitando inscrições para a primeira turma do curso - inédito no interior do Estado -, com aulas previstas para ter início em 3 de agosto e término apenas em meados de novembro.
A divulgação mal começou e já foram realizadas 25 inscrições, entre elas, as de seis homens. As aulas serão ministradas à noite, no período das 19h30 às 22h30, três vezes por semana (os dias ainda não estão definidos) nas dependências do Aeroclube. A coordenadora, Vivian de Castro, 27 anos, ex-comissária de vôo, informa que a decisão pela criação do curso na cidade foi motivada pela grande procura. Muitas pessoas ligavam ao Aeroclube para saber se podiam fazê-lo em Londrina, comenta.
O curso foi homologado pelo Instituto de Aviação Civil (IAC), órgão do Departamento da Aviação Civil (DAC), há cerca de dois meses, após o preenchimento de algumas exigências. Entre elas, a necessidade de os instrutores terem dois anos de experiência em aviação.
Para quem está esperando um curso fácil, um aviso. Além de cerca de 20 disciplinas, os alunos vão ter que passar por algumas aventuras fora da sala de aula, como noções de sobrevivência na selva. Nesta parte, eles terão que passar um final de semana num local para onde não poderão levar comida e nem roupa. Será a simulação de um acidente em que os comissários terão que aprender a sobreviver em condições adversas.
Os alunos também terão aulas de marinharia (utilização de botes de aeronaves) e combate a incêndio. Para estes módulos, a organização contará com o auxílio dos soldados do Corpo de Bombeiros e atendentes do Sistema Integrado de Atendimento ao Trauma (Siate), que irão dar noções de primeiros socorros.
O curso será dado por sete instrutores. Entre as disciplinas, estão regulamentação da aviação civil, serviço de bordo, emergência, regulamentação da profissão, postura, navegação, segurança de vôo etc. Vivian de Castro observa que a conclusão do curso é o primeiro passo para o ingresso na profissão. O segundo, seria o treinamento dado pela própria companhia aérea para a qual o profissional for contratado.
Segundo ela, os alunos irão sair da escola prontos para tentar vagas no mercado de trabalho, que é bastante disputado. O que leva as empresas a contratarem esta ou aquela pessoa são os diferenciais, que variam desde a beleza até o nível de educação, comenta. Ela já avisa que ter noções básicas de um idioma é um dos grandes requisitos da profissão.
Antes de receberem o Certificado de Capacidade Teórica - o passaporte para a profissão - os alunos terão que se submeter a três avaliações. No primeiro mês de aula, eles terão que se submeter a um exame médico no Hospital da Aeronáutica em São Paulo ou Curitiba (os exames não estão incluídos no preço do curso e custam, em São Paulo, R$ 160,00).
Os exames são necessários porque há determinadas doenças, como diabete, ou deficiências (auditiva, por exemplo), que impedem o exercício da profissão. As condições em que vivemos - muito tempo em ambiente com ar pressurizado, por exemplo - podem agravar os problemas de saúde, diz Vivian. Os aprovados no exame médico recebem o Certificado de Capacidade Física e podem prosseguir com as outras duas avaliações: avaliação interna (prova) e a banca do DAC.
É a banca, realizada em Londrina três vezes por ano, que irá conceder o certificado aos alunos. O curso também será realizado, na cidade, três vezes por ano.


