Aeroclube sedia curso de dois dias sobre como construir aviões
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terça-feira, 10 de dezembro de 1996
Nelson Sato 
Construir um avião é fácil. Basta adquirir um projeto da estrutura da aeronave desejada, comprar os materiais e ter noções de como manejá-los. Pelo menos, essa é a impressão que causam os workshops de aviação experimental realizados no mundo inteiro desde os anos 50.
Há pessoas que praticam o aeoromodelismo (miniatura de aviões), mas há um grande número que se interessa em construir aviões de verdade para voar com a família, diz Ricardo Cavallari, inspetor técnico da Associação Brasileira de Ultra-Leves (ABUL) e conselheiro técnico da Associação de Aviação Experimental (AEA), com sede nos Estados Unidos.
Cavallari esteve no último fimde semana em Londrina a convite do Aeroclube para um workshop sobre aviação experimental. trouxe quatro caixas de ferramentas com os materiais usados na construção de aviões, como madeira, fibras de vidro e alumínio.
O objetivo do workshop é mostrar esses materiais e fornecer orientação quanto à maneira adequada de manuseá-los. Cavallari começou a coordenar cursos há dois anos desde que passou a escrever uma coluna especializada em aviação experimental na revista Skydive. Ele lembra que a Associação de Aviação Experimental foi fundada em 1955 nos Estados Unidos, se alastrou por mais de 100 países e hoje tem 150 mil associados.
O resultado disso é que há hoje 10 mil aviões experimentais voando nos Estados Unidos e cerca de 500 no Brasil. Eles são mais leves e mais resistentes do que as aeronaves construídas na década de 50, por causa dos materiais que estão à disposição hoje em dia. Compare-se, por exemplo, as colas ou tintas utilizadas. Antes usavam esmalte sintético e caseína. Hoje usam polioretano e epox.
Cavallari sublinha ainda que, antes de se lançarem no ar, todos os modelos construídos ou restaurados passam pela assistência e aprovação de um engenheiro aeronáutico, eliminando qualquer risco de irresponsabilidade.
O workshop em Londrina durou dois dias. Entre os participantes estavam fazendeiros, estudantes de engenharia, administradores de empresas, mecânicos e fiscais da Fazenda.


