Rio de Janeiro Água limpa já deixou de ser o único criadouro do mosquito Aedes Aegypti, transmissor da dengue. Em São José do Rio Preto, no interior de São Paulo, por exemplo, larvas do mosquito já foram encontradas nos locais mais inusitados: tampas de hidrômetro, canos de portão, bandejas de ar-condicionado, canos de pia entupida, lajes quebradas em quintais e até mesmo em água suja e água com óleo.
''O mosquito tem capacidade de se adaptar a novos criadouros e a cada dia temos uma surpresa. O criadouro inicial era o pneu, e depois o prato de vaso, que ainda hoje é um criadouro importante, mas não se pode esquecer de outros locais'', alertou o médico Eduardo Sérgio Marques Lázaro, diretor de Vigilância e Saúde de São José do Rio Preto. Ele participou, no último sábado, do Simpósio Nacional sobre Dengue, no Rio de Janeiro.
Em Londrina, não foram encontradas larvas do mosquito, mas já se detectou a presença de água parada um potencial criadouro em bandejas de geladeiras, tanto em modelos antigos, quanto em novos. Segundo o coordenador de endemias da cidade, Luiz Alfredo Gonçalves, nestes modelos de geladeiras há um reservatório para desgelo, atrás do eletrodoméstico, onde se acumula água. O morador deve retirar a água periodicamente ou colocar água sanitária no local. ''É grande a diversidade de criadouros, também já encontramos a larva em locais incomuns, desde calhas até ralo de banheiro que não é usado'', admitou Gonçalves.
A capacidade de adaptação do mosquito e a rapidez com que se reproduz levaram alguns médicos que participaram do Simpósio Nacional sobre Dengue a discutirem se é possível ou não erradicar o mosquito. ''Hoje não é possível por vários motivos, porque atingiu regiões urbanas complexas, não há recursos humanos suficientes e não há prioridade para isso'', afirmou o infectologista Marcos Boulos, do Hospital de Clínicas de São Paulo. Para o presidente da Sociedade Clínica Médica do Estado do Rio de Janeiro, Luiz José de Souza, é necessário mais ''vontade política''. ''Hoje se gasta muito mais com internações, com exames e com mortes'', disse.
O médico Anthony Wong, do Centro de Referência de Farmacovigilância do Hospital das Clínicas de São Paulo, defende uma revisão no uso de inseticidas que tiveram sua venda proibida no País por conterem agentes cancerígenos. Segundo ele, o fumacê, utilizado hoje, mata o mosquito somente no momento em que é aplicado, não tem poder residual. ''Quantas pessoas desenvolveram tumores por causa deste tipo de inseticida? Não é melhor evitar as mortes por dengue?'', questionou.
Na edição de amanhã, o assunto da série de reportagens sobre o Simpósio Nacional de Dengue será a banalização do atendimento médico em casos de dengue. A repórter viajou ao Rio de Janeiro a convite da Aventis Pharma

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